Este era, até há quatro dias, o destino de descanso, a praia dos moradores de Caracas, a apenas 1 hora de carro da capital da Venezuela. Leia mais (06/28/2026 - 19h54)

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28.jun.2026 às 19h54

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La Guaira (Venezuela)

Este era, até há quatro dias, o destino de descanso, a praia dos moradores de Caracas, a apenas 1 hora de carro da capital da Venezuela.

Agora, ainda que com o mesmo azul intenso do mar do Caribe ao fundo, o cenário é de destruição. O odor, de corpos há dias em decomposição. E o som, de tratores operando e de familiares em desespero. Os números oficiais dizem que até aqui há ao menos 1.450 mortos.

No edifício Aguja Azul, uma folha de sulfite colada em uma das únicas paredes ainda em pé diz: "lista de atrapados" (lista de pessoas presas). Foi a forma improvisada que familiares encontraram para juntar telefones de contato aos nomes de seus parentes que podem estar naqueles escombros.

As famílias são quem está na linha de frente das buscas por corpos em La Guaira, a região mais afetada pelos terremotos gêmeos, de magnitude 7,2 e 7,5, que assolaram o país em 24 de junho. A data era o feriado nacional da Batalha de Carabobo, fundamental para a independência do país. Boa parte dos venezuelanos estava em casa, descansando.

Dajameles Ramires estava no que restou do Aguja Azul com cerca de dez membros de sua família buscando os parentes. Eles não tinham experiência em resgate de vítimas, mas se trajaram como podiam e começaram o trabalho que parece incessante.

Nos escombros estão sua irmã, a sobrinha que havia celebrado o aniversário de 15 anos no fim de semana anterior e a amiga de escola de uma sobrinha de 7 anos que, "por milagre", foi encontrada viva e resgatada no sábado (27). Ela estava agarrada ao pai, morto.

A família foi encontrada no corredor do andar onde moravam há dois anos. Haviam sido pegos pelo desmoronamento ao tentar sair do prédio. "Já vieram equipes de resgate, mas muitas foram transferidas para outras partes, e algumas vieram e foram embora quando viram que não deve haver mais vivos", diz Dajameles à Folha. "No final ficamos nós, as famílias, porque precisamos de um desfecho."

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Não muito longe dali, familiares entraram em confronto com agentes de segurança que tentavam organizar o tráfego de motos e carros que levam voluntários, mantimentos, tratores e pás. Eles afirmam que tem sido lento e insuficiente o trabalho de busca em um dos edifícios que mais chama a atenção em La Guaira.

Parte de um complexo residencial construído pelo Estado na era em que Hugo Chávez era o presidente, o edifício Luiza Cáceres de Arismendi está prestes a cair. A estrutura está tombada para o lado, e toda a parede lateral desabou.

Como se aquilo fosse uma enorme casa de bonecas, de longe é possível ver todos os apartamentos. Aquele com o carrinho de bebê rosa, o que tem a parede estampada com árvores pintadas à mão, aquele outro com a dupla de sofás laranja fluorescentes.