Especialista alerta para riscos no desenvolvimento social infantil por causa do excesso de dispositivos eletrônicos na rotina
Compartilhar matériaA chegada das férias escolares pode representar um desafio para os pais. O excesso do uso de telas por crianças tende a se tornar algo prejudicial, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento emocional, social e até mesmo cognitivo infantil.
Professora do curso de Psicologia do Centro Universitário Braz Cubas, Eliana Farias, explica à CNN Brasil que a dependência de dispositivos eletrônicos pode ser percebida quando as telas deixam de ser entretenimento e se tornam um espaço central no dia a dia da criança.
"É importante observar comportamentos como irritabilidade intensa ao interromper o uso dos dispositivos, perda de interesse por brincadeiras e outras atividades, alterações no sono, dificuldade de concentração, isolamento social, ansiedade e mudanças frequentes de humor", declara.
Ela segue: "Outro ponto de atenção é quando a criança utiliza as telas como única estratégia para lidar com emoções como tristeza, medo, frustração ou tédio. Nesses casos, a tecnologia passa a exercer um papel de regulação emocional, o que merece acompanhamento dos responsáveis e, se necessário, orientação profissional".
Apesar da dependência em dispositivos eletrônicos ser algo cada vez mais preocupante entre crianças, há formas de diminuir seu uso sem que haja momentos de conflito. Para Eliana, é importante acrescentar alternativas atraentes, mas que sejam compatíveis com a idade de cada criança.
Entre os exemplos, a profissional indica brincadeiras ao ar livre, jogos de tabuleiro, leitura, esportes, atividades manuais, culinária e momentos de convivência com familiares e amigos.
Esses estímulos não exigem que as telas sejam retiradas totalmente da rotina da criança, mas podem ser estabelecidos dentro de determinados períodos do dia.
"Permitir que a criança vivencie momentos de tédio também é saudável, pois estimula a criatividade e favorece a criação de novas formas de brincar", pontua.
A professora reforça que o uso da tecnologia não deve ser eliminado, mas pode ocupar um espaço equilibrado na rotina da criança. No restante do tempo, é muito importante que algumas vivências sejam introduzidas na vida das crianças para contribuir na construção de memórias afetivas importantes da infância.
"Essas vivências são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e físico", aponta.
Ela ainda alerta que o uso desenfreado de telas pode interferir no sono, na atenção, na comunicação, na criatividade e na capacidade de lidar com frustrações, fatores que influenciam diretamente o processo de desenvolvimento infantil.


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