Cardápio indicado para atletas de alto rendimento ultrapassa muito a recomendação de 2.200 a 3.000 calorias por dia

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O atacante Erling Haaland, 25, ídolo da seleção da Noruega, que enfrenta o Brasil neste domingo (5) pela Copa do Mundo, consome diariamente a mesma quantidade de calorias que um fisiculturista na fase pesada de ganho de massa corporal. O jogador Josh King, que já defendeu o time norueguês, brincou nas redes sociais e o comparou a um urso: "Nunca viu alguém comer tanto".

A dieta adotada pelo craque inclui cerca de 6.000 calorias diárias —a quantidade recomendada para um homem adulto varia de 2.200 a 3.000 calorias por dia, dependendo da idade e da prática de atividade física.

Conforme revelou o próprio jogador no documentário "Haaland: A Grande Decisão", a dieta se baseia em produtos frescos e pouco ou nada processados, como leite e derivados crus. Também inclui muita carne, com destaque para as vísceras, como fígado e coração de boi, ricas em concentração de ferro, zinco e vitaminas tipo A e B12.

Para especialistas ouvidos pela Folha, os alimentos podem ser consumidos pela maioria da população (exceto leite não pasteurizado, cuja comercialização é proibida no Brasil pelo risco de contaminação), mas a quantidade só é indicada para atletas jovens de alta performance como Haaland, que tem 1,95 metro e pesa entre 88 kg e 94 kg.

Para Ellen Cristini de Freitas, professora e responsável pela área de Nutrição e Exercício Físico da Escola de Educação Física e Esportes de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP-USP), é preciso pensar no contexto.

"Dieta de atleta é estratégia de trabalho, não modelo universal de saúde. No esporte de elite, a nutrição é calculada para sustentar desempenho e recuperação sob uma demanda física muito específica", avalia.

Para a população geral, o melhor caminho é "uma alimentação equilibrada, individualizada e compatível com o gasto energético real."

"O que deve ser evitado é a reprodução literal da dieta. Consumo excessivo de calorias, ideia de que vísceras ou leite são obrigatórios para desempenho, e qualquer prática sem considerar idade, sexo, composição corporal, exames, objetivos e nível de atividade física", reforça Freitas.

Rafael Pitta, profissional de Educação Física e especialista em Ciências da Saúde pelo Albert Einstein Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa, conta que a nutrição atua sobre disponibilidade de energia, capacidade de recuperação e manutenção da saúde ao longo da temporada do atleta.

No futebol, esse impacto é relevante. "A modalidade combina esforços intermitentes de alta intensidade, sprints repetidos (esforços curtos de intensidade máxima), mudanças rápidas de direção, contato físico, demanda cognitiva e calendário competitivo com pouco tempo de recuperação", diz o pesquisador.

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Uma dieta como a de Haaland contribui para recuperação e manutenção de massa muscular. "Pode favorecer a reposição de glicogênio e a disponibilidade de energia para treinos e partidas", avalia Freitas.

Outro ponto essencial é a hidratação, pois esportes que levam a perdas hídricas superiores a 2% da massa corporal já são suficientes para comprometer a termorregulação —o que se agrava em ambientes quentes e com umidade elevada ou em sequências de viagens e competições. A desidratação, segundo Pitta, "aumenta a percepção subjetiva de esforço, reduz a capacidade cognitiva, a tomada de decisão e o desempenho neuromuscular."