Pré-candidato pelo PL vai participar de audiência no USTR, onde pretende convencer americanos a adiarem taxação contra o Brasil para depois das eleições
Em transmissão ao vivo realizada neste domingo (5), a partir de Washington, nos Estados Unidos, antes do jogo do Brasil, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é “o único do mundo que quer a tarifação” de produtos pelo governo norte-americano. Segundo ele, o petista estaria em busca de ganhos eleitorais.
Flávio viajou para os EUA no último sábado, para participar de audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), onde deve discursar e apresentar argumentos para tentar convencer as autoridades norte-americanas a adiarem a aplicação de tarifas.
O objetivo é evitar desgastes e a associação da aplicação das tarifas ao bolsonarismo. No ano passado, quando as sanções foram aplicadas, o presidente Lula ganhou popularidade e recuperou o discurso da defesa da soberania nacional, depois de Eduardo Bolsonaro ter admitido atuar pela imposição de tarifas.
Na live, Flávio acusou Lula de ter “lavado as mãos” diante das negociações com os norte-americanos e afirmou que o governo brasileiro não estaria atuando para impedir a medida.
O governo brasileiro, no entanto, apresentou os argumentos a Washington contra as tarifas e protocolou, na quarta-feira (1º), resposta às conclusões das investigações do USTR com base na Seção 301.
No documento, o governo brasileiro alega que a Seção 301 “não concede carta branca” para impor custos comerciais em resposta a condutas estrangeiras que os EUA dizem ser questionáveis. Na avaliação do governo, a sanção comercial imposta ao Brasil baseia-se, no máximo, em uma teoria de “pressão econômica generalizada”.
Segundo Flávio Bolsonaro, a expectativa é convencer autoridades americanas a rever a proposta “com argumentos técnicos e políticos”. Ele disse estar “esperançoso” com as audiências previstas em Washington.
O senador também voltou a associar o debate comercial ao tema da segurança pública. Segundo ele, Lula teria receio de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista e relacionou essa posição a investigações envolvendo fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e empresas ligadas ao grupo criminoso, sem apresentar evidências.
Flávio afirmou que a negociação com os EUA será conduzida “de igual para igual” e fez comentários sobre futebol. “Hoje estamos aqui para falar da seleção do Brasil”. As transmissões eram uma tradição de seu pai, Jair Bolsonaro, para se comunicar com a base eleitoral.
O filho zero um do presidente tem buscado repetir a estratégia e consolidar o mesmo formato de comunicação de seu pai para se aproximar do eleitorado e manter a base engajada. A live deste domingo, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL), teve tom descontraído, elogios a Neymar e chutes do placar do jogo do Brasil contra a Noruega.
Flávio afirmou, ainda, que esteve com Jair Bolsonaro em visita no último sábado (4) e voltou a repetir que o ex-presidente vive sob um “enorme sentimento de injustiça”.


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