A americana TransCore, principal fornecedora de tecnologia para pedágios eletrônicos nos Estados ...
A americana TransCore, principal fornecedora de tecnologia para pedágios eletrônicos nos Estados Unidos, quer trazer ao Brasil uma nova geração de soluções para o sistema de free flow. Em parceria com a brasileira Pumatronix, a empresa aposta não apenas na expansão da cobrança sem cancelas, mas também em novas aplicações para os dados gerados pelos veículos que circulam nas rodovias.
O movimento ocorre em um momento em que o modelo avança no País, mas ainda sem orientações específicas da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) sobre o uso dessas informações.
Representantes das duas empresas estão no Brasil para participar da Bienal das Rodovias 2026, realizada nos dias 17 e 18 de junho no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. Organizado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), o principal fórum de concessões do País reúne governo, reguladores, concessionárias e especialistas sob o tema "A Força da Regulação Brasileira".
O sistema desenvolvido pela TransCore utiliza o celular do motorista como identificador para o pagamento automático do pedágio.
Segundo a empresa, o usuário precisará baixar um aplicativo e autorizar o compartilhamento de localização para que o sistema reconheça a aproximação do veículo aos pórticos. A proposta busca reduzir custos de emissão e distribuição das tags e ampliar a adesão de usuários que hoje não utilizam meios automáticos de pagamento.
A tecnologia já está em fase de testes nos Estados Unidos e deverá ser submetida à homologação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) ainda neste ano.
Para caminhoneiros autônomos, segmento que historicamente apresenta baixa adesão às tags, a empresa acredita que o modelo pode facilitar o acesso ao sistema.
A cobrança continuará podendo ser feita por leitura de placa, mas o smartphone funcionaria como uma segunda camada de validação, reduzindo fraudes e aumentando a precisão das cobranças.
O movimento ocorre poucos meses após a ANTT homologar a Roadcard como a primeira operadora autorizada a realizar pagamentos de vale-pedágio por leitura de placas, sem utilização de tags. Na ocasião, a agência argumentou que a rastreabilidade dos registros de passagem facilitaria a fiscalização do sistema.
Outra frente da parceria está relacionada à classificação automática dos veículos.
Atualmente, concessionárias ainda enfrentam situações em que veículos são enquadrados em categorias incorretas, gerando cobranças indevidas.
Segundo os executivos, a solução da TransCore combina sensores de vídeo, inteligência artificial e tecnologia lidar para identificar características físicas dos veículos, quantidade de eixos, altura, volume e até a presença de veículos trafegando muito próximos uns dos outros.
O sistema também consegue identificar eixos suspensos em caminhões, informação que pode ser cruzada com manifestos eletrônicos de carga para auxiliar processos de fiscalização.
Além disso, a Pumatronix já opera sistemas de pesagem em movimento por meio da WimRadar, empresa do grupo responsável pela balança HSWIN, homologada recentemente e em operação no Rodoanel Norte de São Paulo.
O free flow é, por natureza, um sistema de coleta de dados de mobilidade. Cada passagem por um pórtico gera registros que incluem placa, horário, localização e características do veículo.
Quando essas informações são associadas aos sistemas de cobrança, passam a integrar uma base de dados que desperta interesse de diferentes segmentos do mercado.
Durante reunião com a reportagem, Calixto afirmou que as empresas enxergam potencial econômico nessas informações.
"Respeitando a LGPD, a gente gostaria de usar os dados. Então eu posso, por exemplo, fornecer dados para uma seguradora, um banco", disse. Na mesma conversa, porém, o executivo citou aplicações estatísticas como exemplo de uso possível, destacando o respeito à privacidade;
As declarações indicam que o mercado já avalia oportunidades que vão além da simples cobrança de pedágio. Informações sobre fluxo de veículos, frequência de deslocamentos, velocidades médias e padrões logísticos podem ser utilizadas para estudos de tráfego, planejamento de infraestrutura, gestão de frotas e desenvolvimento de novos serviços.
O próprio executivo mencionou outros exemplos durante a conversa. "A marca de veículo que mais passa é da Fiat. Vou passar um outdoor que vale dinheiro."
