Multidão se reúne na Grande Mosalla, em Teerã, carregando fotos do líder supremo no primeiro dia de homenagens fúnebres.

04/07/2026 10h37 Atualizado 04/07/2026

O funeral de Estado do falecido líder supremo iraniano Ali Khamenei começou neste sábado (4) em Teerã. Milhares de pessoas se reuniram em demonstração de força.

Participantes entoaram slogans contra Israel e os Estados Unidos. Cartazes vermelhos no local pediam a morte do ex-presidente americano Donald Trump.

O evento de seis dias ocorre após a assinatura de um memorando de entendimento para encerrar o conflito.

O caixão de Khamenei passará por cidades do Irã e Iraque até o sepultamento.

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O funeral de Estado do falecido líder supremo iraniano Ali Khamenei começou neste sábado (4) em Teerã, onde milhares de pessoas se reuniram em uma demonstração de força após a guerra contra Israel e Estados Unidos.

Quatro meses depois da morte do aiatolá nos bombardeios israelenses e americanos que desencadearam o conflito em 28 de fevereiro, seu caixão está exposto na Grande Mosalla, um vasto complexo religioso na capital. Sobre ele foi colocado seu emblemático turbante preto.

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Majoritariamente vestidos de preto, os milhares de participantes se reuniram no local desde a manhã de sábado, mesmo antes de a televisão estatal anunciar, por volta das 6h00 locais (23h30 de sexta-feira no horário de Brasília), o início oficial dos atos.

Muitos empunhavam bandeiras xiitas vermelhas com a inscrição "Mártir". Segundo um jornalista da AFP, alguns participantes entoaram "Vingança!", mas também "Morte aos Estados Unidos, morte a Israel!", um slogan frequente nas concentrações oficiais.

Também foram vistos cartazes vermelhos instando a "#MatarTrump", no mesmo dia em que os Estados Unidos celebram o 250º aniversário de sua independência.

"Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim. Todas essas pessoas estão aqui por ele", diz Reza, um professor universitário de 37 anos.

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As autoridades preveem que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem dessas homenagens apenas em Teerã, que são anunciadas como as maiores da história do país.

O evento, que durará seis dias, pretende ser uma demonstração de força em plena negociação diplomática entre os Estados Unidos e o Irã, após a assinatura, no mês passado, de um memorando para pôr fim ao conflito.

A presença do filho de Khamenei, Mojtaba, que o sucedeu no início de março como guia supremo, não foi confirmada. Supostamente ferido durante os ataques que mataram seu pai, o dirigente se expressa apenas por meio de mensagens escritas e não apareceu em público.

Por ocasião dessa homenagem, que ocorre seis meses depois de importantes manifestações populares contra o alto custo de vida e o governo, o centro da capital iraniana foi transformado em uma fortaleza, com numerosos controles policiais, constatou a AFP.

Mesmo antes do início oficial da cerimônia, várias centenas de pessoas aguardavam na noite de sexta em frente à Grande Mosalla, na esperança de serem as primeiras a entrar.

“Queremos dar um último adeus ao nosso guia e, por isso, a espera não é nem dolorosa nem difícil para nós”, disse à AFP Somayye Hamedi, uma professora de 44 anos vestida com um chador preto.