Ao ‘Estadão’, narrador de 75 anos afirma ser, em sua 14a Copa, o mesmo ‘de sempre’, diz não saber se estará nas transmissões em 2030 e projeta narrar centésimo gol da seleção em Mundiais
MIAMI - Nenhuma voz narrou mais jogos de Copa do Mundo do que Galvão Bueno, façanha que o colocou no Guinness World Records. São, até o momento, 148 partidas narradas, muitas delas da seleção brasileira, em 14 Mundiais.
O locutor havia indicado que o torneio no Catar, em 2022, seria o último de sua carreira. Não foi. Foi o último empunhando o microfone da Globo. Ele chegou a inaugurar seu canal próprio no YouTube, tem narrado jogos do Brasileirão no Prime Video, serviço de streaming da Amazon, e viajou à América do Norte para comandar as transmissões da Copa em uma parceria entre SBT e N Sports, empresa da qual é sócio.
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“Não tem o velho Galvão, o novo Galvão. É o Galvão de sempre”, afirma ele em entrevista ao Estadão em evento em Miami organizado para celebrar seu ingresso oficial no livro dos recordes.
Galvão está presentes em Copas desde a edição de 1974, na Alemanha Ocidental. O Guinness, porém, não considerou seu trabalho naquele torneio porque os jogos que narrou, todos pela Gazeta, não foram transmissões ao vivo.
Ele rejeita a ideia de que tenha mudado seu estilo de narrar e comentar futebol. Seu pensamento é de que continua sendo o profissional marcado pela emoção nas transmissões. Sem abrir mão das críticas quando considera necessário.
Galvão gosta de dizer que é um “vendedor de emoções”, alguém que precisa equilibrar o entusiasmo transmitido ao público com a obrigação de retratar o que acontece dentro e fora de campo.
“Eu sou um narrador, sou um apresentador de televisão e ando no fio da navalha”, define-se. “De um lado tem as emoções que eu jogo para dezenas de milhões de telespectadores. Do outro lado tem a realidade dos fatos, da qual você não pode fugir”.
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1:13Narrador é homenageado em evento em Miami: 'Pelé da narração'. Crédito: Rodrigo Magatti / Estadão
Isso inclui questionar e criticar os problemas quando os encontra. Na estreia da seleção brasileira, diante do Marrocos, queixou-se da posição na tribuna da imprensa em que ele e seus colegas foram colocados.
“Se está ruim, eu falo. O local de transmissão aqui nessa Copa do Mundo... Nunca vi nada tão ruim na minha vida. Em mais de 50 anos, nunca vi nada tão ruim quanto o local de transmissão nos dois primeiros jogos, nos dois estádios”, reforçou, citando o espaço em que foi alocado no MetLife Stadium e no Lincoln Financial Field, palco das duas primeiras partidas do Brasil contra Marrocos e Haiti, respectivamente.
A postura crítica se estende ao desempenho de árbitros, técnicos e atletas. Na estreia da seleção, diante do Marrocos, Lucas Paquetá foi o mais criticado pelo locutor.
“Eu critico um jogador aqui e ali, mas, em boa parte das vezes, vou junto com a seleção. Vou no embalo”, pondera.
Galvão Bueno diz que cobrir outra Copa 'é difícil' e quer narrar centésimo gol do Brasil
1:02Narrador entrou para o Guinness ao narrar 148 partidas de Copas e recebeu homenagem. Crédito: Ricardo Magatti / Estadão
O comunicador de 75 anos não sabe se haverá uma 15ª Copa para ele em 2030. “A próxima Copa já fica mais difícil. Pela idade que eu tenho e que eu vou ter daqui a quatro anos. ”Se estiver bem de saúde, posso estar lá para comentar, para apresentar um programa, alguma coisa".
Antes disso, espera que possa narrar pela centésima vez um gol da seleção brasileira em Copas. Faltam dois. “Achei que ia sair contra o Haiti. Não saiu. Mas quem sabe agora contra a Escócia”.


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