Entenda os argumentos apresentados pelo Google ao Cade sobre remuneração de notícias, o impacto do AI Overviews, o papel do Google Destaques e por que a empresa afirma que o tráfego enviado aos veículos já representa um benefício econômico. O post Google diz …
Principais destaques
O debate sobre a relação entre plataformas digitais e empresas jornalísticas voltou a ganhar força no Brasil. Em defesa apresentada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o Google Brasil contestou as acusações de que deveria remunerar veículos de imprensa pela exibição de trechos de reportagens nos resultados de pesquisa.
Segundo a empresa, o modelo atual beneficia os próprios produtores de conteúdo ao direcionar milhões de usuários para seus sites todos os dias.
A manifestação integra um inquérito administrativo aberto em 2019 para investigar possíveis práticas anticompetitivas envolvendo o mercado de buscas na internet e a distribuição de notícias.
O procedimento foi iniciado após questionamentos apresentados por empresas de comunicação, que alegam que o Google utiliza conteúdos jornalísticos para manter os usuários em seu ecossistema e, com isso, reduzir o acesso direto aos portais de notícias.
Na visão da companhia, entretanto, essa interpretação não corresponde ao funcionamento do buscador. O Google sustenta que sua ferramenta atua justamente como um canal de descoberta de conteúdo, conectando usuários a milhares de sites e ampliando o alcance das publicações.
Por esse motivo, a empresa solicita que o Cade arquive o processo por entender que não há prática anticoncorrencial.
Um dos principais argumentos apresentados pela empresa é que a exibição de títulos, pequenos resumos e imagens das reportagens nos resultados de pesquisa não representa uma apropriação indevida do trabalho jornalístico.
Segundo o Google, esses elementos servem apenas para ajudar o usuário a identificar o conteúdo mais relevante antes de acessar a página original.
O Google afirma que esse tráfego orgânico possui valor econômico mensurável e, por isso, já funciona como uma forma relevante de compensação.
A companhia argumenta que milhões de visitas são enviadas diariamente para sites jornalísticos em todo o mundo sem qualquer custo para os veículos, tornando o buscador uma importante porta de entrada para novos leitores.
Outro ponto destacado pela empresa é que a exigência de pagamentos obrigatórios pela simples exibição de snippets poderia comprometer a sustentabilidade econômica dos mecanismos de busca.
Segundo o Google, se cada resultado de pesquisa passasse a gerar uma obrigação financeira, o modelo atual de indexação da internet se tornaria muito mais complexo e, em alguns casos, inviável.
Para reforçar sua posição, o Google citou casos ocorridos em outros países que adotaram regras voltadas à remuneração obrigatória de conteúdo jornalístico.
Entre os exemplos apresentados estão Espanha e Alemanha, onde mudanças legislativas provocaram alterações importantes no funcionamento dos serviços da empresa.
Em determinadas situações, o Google News deixou de operar ou os snippets passaram a ser removidos de veículos que exigiam pagamento pelo uso dos conteúdos.
Segundo a defesa apresentada ao Cade, essas medidas acabaram produzindo efeitos negativos para os próprios jornais. A empresa afirma que diversos veículos registraram redução significativa no número de visitantes após perderem visibilidade nas plataformas de busca, o que levou parte deles a rever suas estratégias e flexibilizar as exigências relacionadas ao licenciamento.
O Google utiliza esses episódios para sustentar que a presença nos resultados de pesquisa costuma ser vantajosa para os produtores de conteúdo e que a retirada dessa exposição pode afetar diretamente a audiência dos portais.
Além disso, a companhia lembra que já realiza investimentos diretos no setor por meio do Google News Showcase, conhecido no Brasil como Google Destaques.
Nesse programa, empresas jornalísticas firmam acordos voluntários para licenciar conteúdos editoriais e recebem remuneração pela curadoria de notícias exibidas em produtos específicos da plataforma.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário