O ex-presidente Evo Morales disse nesta terça-feira (23) que o governo da Bolívia está "forçando uma guerra civil" com uma "política neoliberal". Evo foi entrevistado pela agência AFP na região do Chapare, onde está refugiado. Leia mais (06/24/2026 - 12h34)

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

24.jun.2026 às 12h34

O ex-presidente Evo Morales disse nesta terça-feira (23) que o governo da Bolívia está "forçando uma guerra civil" com uma "política neoliberal". Evo foi entrevistado pela agência AFP na região do Chapare, onde está encastelado enquanto responde a uma acusação criminal de tráfico de menor, que ele nega e denuncia como "perseguição" política.

Várias cidades bolivianas enfrentaram nas últimas sete semanas uma escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos devido a bloqueios de estradas em protesto contra o presidente de centro-direita Rodrigo Paz, enquanto o país vive sua pior crise econômica em quatro décadas.

Paz, que pôs fim em novembro passado a 20 anos de governos de esquerda, responsabiliza Evo pelos protestos e decretou no último sábado (20) estado de exceção, uma medida que permitiu a remoção dos bloqueios.

"Não vou me render", afirmou Evo, dias após o governo ameaçar intervir no Chapare, reduto político do ex-presidente esquerdista, para prendê-lo. "Quem negocia a sua sobrevivência não é digno."

A entrevista aconteceu na localidade de Lauca Eñe, após uma passagem por vários postos de controle. Dezenas de apoiadores do ex-presidente ficaram nos arredores de seu refúgio, alguns deles portando armas rústicas.

Qual é o seu balanço das últimas semanas de protestos? É uma revolta contra o modelo neoliberal e o estado colonial. E o resultado é um governo sem autoridade. Na minha opinião, isso vai continuar. Essa "mentirocracia" causa muita reação do povo boliviano.

O fim dos bloqueios é uma vitória do governo? O governo foi salvo por favores [a setores] negociados a portas fechadas. Só restavam bloqueios aqui no Trópico de Cochabamba, que tem muita disciplina. Decretamos uma pausa, mas não negociamos.

Acredita que o governo vá intervir no Chapare [reduto político da esquerda]? Não há motivos para intervir; não há bloqueios. Sabem que haverá problemas aqui, estamos bem organizados. Sabem que companheiros vão se defender, vão nos defender. Não queremos mortos, feridos.

O que fará se tentar fazê-lo? Com toda essa política neoliberal e esse estado colonial, estão forçando uma guerra civil. Quem negocia a sua sobrevivência não é digno. Eu nunca negociei. Defender a folha de coca é defender a soberania, a dignidade do povo.

A guerra da coca é muito mais do que a guerra por água ou gás. Qualquer intervenção militar, policial, [os camponeses] vão resistir.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

Qual a sua resposta à acusação de suposto tráfico de menor? Processo inventado. Não encontraram nada de narcotráfico, corrupção. É um tema puramente político. Como Evo não é corrupto nem está ligado ao tráfico de drogas, tentam usar o tema "pedófilo". As pessoas acham graça.

O que prevê para a Bolívia nos próximos meses? Se não for resolvida a questão estrutural, que é a questão econômica, a qualquer momento qualquer setor vai se mobilizar. Se não houver um plano para reativar a economia estatal, continuará havendo rebelião e agitação.