Senador Humberto Costa (PT) lança plataforma para prestar contas do mandato - Foto: Matheus Ribeiro/Folha de Pernambuco Em pleno ano eleitoral, quando a liberação de emendas parlamentares atinge a temperatura máxima e se transforma em moeda valiosa do varejo político, defender o encolhimento do bolo orçamentário na mão do Congresso soa quase como heresia partidária. É exatamente essa a provocação do senador Humberto Costa (PT).

Para o petista, a explosão das emendas impositivas - que hoje movimentam mais de R$ 60 bilhões -  inflou o poder de barganha dos parlamentares, mas estrangulou o planejamento do Poder Executivo. Reconhece que defender a redução é remar contra a maré de uma maioria viciada. No entanto, alerta que o reequilíbrio fiscal e institucional passa, inevitavelmente, por fechar essa torneira e reforçar as rédeas de transparência impostas pelo STF. A tese do senador ganha contornos práticos quando coloca no ar um portal detalhando suas entregas nos 184 municípios de Pernambuco e em Fernando de Noronha. No mandato, pulverizar verbas não precisa significar fisiologismo. Frisa que os recursos não carregam exigência de apoio político: a verba chega à ponta para financiar o SUS, o Samu ou obras do PAC, independentemente de a prefeitura ser governada por aliado ou adversário. Ao expor suas pegadas no mapa do estado, tenta neutralizar o ruído comum aos mandatos e mostrar serviço em uma disputa com sete candidatos para duas vagas ao Senado. Ao defender limites para o balcão de negócios em que o orçamento se transformou, deixa uma mensagem aos pares: na política, fazer e mostrar o que fez é obrigação. Reconhecer as distorções é lucidez.