Pesquisa com inteligência artificial identifica mais de 13 mil hectares abandonados e aponta caminhos para conservação do Cerrado
As áreas agrícolas abandonadas podem se tornar uma peça-chave para o futuro do Cerrado. Um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Embrapa utilizou inteligência artificial e imagens de satélite para mapear terras que deixaram de ser produtivas no bioma, abrindo novas possibilidades para recuperação ambiental, planejamento territorial e expansão sustentável da agropecuária.
O trabalho teve como área de estudo o município de Buritizeiro, no norte de Minas Gerais, onde foram identificados mais de 13 mil hectares de áreas agrícolas abandonadas entre 2018 e 2022. O número equivale a quase 5% da área agrícola existente no início do período analisado. A pesquisa alcançou índice de precisão de 94,7%, considerado excelente para estudos de uso e cobertura da terra com sensoriamento remoto.
Para realizar o mapeamento, a equipe utilizou imagens do satélite Sentinel-2 combinadas com uma técnica de aprendizagem profunda chamada Rede Neural Totalmente Conectada (FCNN). O sistema foi treinado com centenas de exemplos coletados em campo, permitindo reconhecer padrões que diferenciam áreas produtivas de áreas abandonadas.
Segundo o geólogo Edson Sano, professor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília, um dos principais desafios foi definir o que realmente caracteriza abandono agrícola.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles “Nem toda área sem cultivo está necessariamente abandonada. Ela pode estar em pousio temporário ou em processo de renovação produtiva. Por isso, foi fundamental combinar séries temporais de imagens de satélite com conhecimento de campo”, explica. De acordo com o pesquisador, a tecnologia demonstra como a inteligência artificial pode acelerar o monitoramento ambiental em grandes extensões territoriais, mas sem substituir a validação realizada por especialistas.


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário