A instabilidade tomou conta dos negócios na bolsa local nesta quarta-feira. Depois de ceder mais de 1% e perder os 170 mil pontos após a abertura dos negócios nesta quarta-feira, o Ibovespa devolveu uma parte das perdas durante a manhã após alguns sinais cons…

A instabilidade tomou conta dos negócios na bolsa local nesta quarta-feira. Depois de ceder mais de 1% e perder os 170 mil pontos após a abertura dos negócios, o Ibovespa devolveu parte das perdas durante a manhã após alguns sinais considerados mais “dovish” (menos inclinados ao aperto monetário) do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em evento hoje.

Durante a tarde, no entanto, a decisão do governo dos EUA de impor sanções a dois cidadãos brasileiros e a três empresas por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) pesou sobre os ativos locais, assim como o novo aumento dos prêmios de risco em virtude das incertezas sobre o cenário eleitoral.

A reação às notícias, porém, foi bem mais contida na bolsa local na comparação com os mercados de juros e de câmbio. Segundo participantes, a explicação pode ser a menor liquidez no mercado acionário doméstico. Após oscilar entre os 169.666 pontos e os 172.098 pontos, o Ibovespa encerrou em queda de 0,20%, aos 171.689 pontos.

Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 15,4 bilhões, abaixo dos R$ 22,3 bilhões registrados em média por dia desde o começo do ano. Já na B3, o giro chegou a R$ 21,5 bilhões.

O desempenho misto de blue chips também pode ter ajudado a limitar as perdas do índice. No fim, as ON da Petrobras cederam 0,50%, ao passo que as PN fecharam estáveis (+0,08%), o que pode indicar que houve venda do papel por parte de estrangeiros. Já as ON da Vale subiram 0,12%.

Bancos também encerraram em direções opostas: as ON do Banco do Brasil recuaram 0,90%, liderando as perdas; já as PN do Itaú ganharam 0,65%, no topo das maiores altas.

Para estrategistas-chefe e gestores ouvidos sob condição de anonimato, a decisão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de sancionar dois cidadãos e três empresas devido a supostos vínculos com o PCC (Primeiro Comando da Capital) foi mal recebida pelo mercado por abrir um precedente para que o mesmo seja feito com outras companhias.

Segundo o governo americano, as empresas sancionadas são a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda (Victory Trading); a Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave) — as duas de serviços financeiros —; e a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (Pixwave), do setor de construção.

Embora as empresas afetadas sejam “pouco relevantes” na economia local, na visão de executivos, a notícia ajuda a elevar o receio de que haja novas sanções mais à frente, o que voltou a elevar o prêmio de risco local.

Ainda que o dia tenha sido mais negativo, o Goldman Sachs informou que manteve a recomendação “overweight” (equivalente a compra) para as ações locais, afirmando que o país permanece como o “mercado preferido na América Latina”.

Nos cálculos da equipe de pesquisa de estratégia em portfólios do banco, liderada por Sunil Koul, as ações brasileiras negociam ao múltiplo de preço sobre lucro projetado de 8 vezes, o que parece “barato” em relação às taxas de juros de longo prazo e aos padrões de negociação observados em ciclos de corte anteriores.

“Embora a volatilidade do mercado possa aumentar no segundo semestre, à medida que nos aproximamos das eleições, qualquer alívio na precificação de juros mais altos (decorrente da dinâmica dos preços de energia) deve favorecer as ações domésticas brasileiras sensíveis aos juros, que acumulam queda no ano e estão 20% abaixo dos níveis pré-conflito”, pondera a equipe do Goldman, em relatório.

No curto prazo, no entanto, o banco sugere que os investidores se posicionem em ações domésticas cíclicas de alta qualidade — bancos com perfil defensivo, utilities (serviços públicos), empresas de telecomunicações, setor imobiliário voltado para a baixa renda e varejistas selecionadas com preços atrativos —, dado o cenário fundamentalista favorável para esses papéis, independentemente do resultado das eleições.

Assim como ocorreu no mercado local, o dia também foi de perdas em Nova York. No fim, o Nasdaq cedeu 0,66%; o S&P 500 recuou 0,22%; e o Dow Jones encerrou estável (-0,03%).