Alta do petróleo, fortalecimento do dólar e discurso mais duro do Federal Reserve ampliaram a aversão ao risco e derrubaram a bolsa brasileira

No câmbio, o dólar avançou frente ao real e encerrou o dia cotado em torno de 5,15 reais, refletindo o movimento global de busca por ativos considerados mais seguros. O fortalecimento da moeda norte-americana ocorreu apesar da revisão para baixo das expectativas de inflação no Boletim Focus, que acabou ficando em segundo plano diante da deterioração do cenário internacional.

Entre os papéis de maior peso do índice, os bancos contribuíram para o desempenho negativo da bolsa. As ações do Santander (SANB11) recuaram 1,67%, seguidas por Itaú Unibanco (ITUB4), com queda de 1,24%. Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 1,17%, enquanto Bradesco (BBDC4) caiu 0,27%.

Na avaliação de Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o principal vetor do mercado foi a forte aversão ao risco observada no exterior. “O dólar segue em forte alta frente ao real em um movimento impulsionado exclusivamente pela severa aversão ao risco global. A dinâmica cambial ignorou o arrefecimento das projeções de inflação no Boletim Focus, sendo atropelada pelo choque geopolítico envolvendo o Estreito de Ormuz. A ameaça de tarifação norte-americana sobre a rota marítima fez o petróleo disparar, alimentando temores imediatos de inflação global”, afirma o analista.

Segundo ela, além da escalada geopolítica, o mercado também reagiu ao tom mais restritivo adotado por integrantes do Federal Reserve. “Os discursos reforçaram que choques energéticos e gargalos tecnológicos continuam pressionando os preços, provocando uma abertura expressiva da curva de juros nos Estados Unidos e fortalecendo o índice DXY. Diante desse cenário, os investidores buscaram ativos de maior liquidez, desmontando posições em mercados emergentes, como o Brasil, e migrando recursos para o mercado americano”, explica.

Com o aumento da percepção de risco, a sessão foi marcada por perdas generalizadas nos ativos domésticos. A combinação entre petróleo mais caro, dólar fortalecido e perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos voltou a pressionar os mercados emergentes, enquanto os investidores seguem monitorando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre a inflação global e a política monetária das principais economias.