A maior aversão a risco nos EUA e em mercados emergentes contaminou a bolsa local nesta quinta-feira. O desempenho do Ibovespa foi afetado por uma combinação negativa de fatores. Participantes do mercado mencionaram que a pesquisa mais recente da Genial/Quaes…

A maior aversão a risco nos EUA e em mercados emergentes contaminou a bolsa local nesta quinta-feira. Sem novos gatilhos para direcionar o Ibovespa, o desempenho do índice foi afetado por uma combinação negativa de fatores. Participantes do mercado mencionam que a pesquisa de ontem da Genial/Quaest reduziu ainda mais a expectativa em torno de uma alternância de poder, ao elevar a possibilidade de término da eleição presidencial no primeiro turno, em um momento em que os EUA também oficializaram as tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, o que pesou sobre as ações brasileiras.

Embora uma boa parte do “tarifaço” americano já estivesse nos preços dos ativos pelo fato de o mercado acreditar que seria muito difícil uma reversão da medida, profissionais afirmam que a notícia ajudou a ampliar o mau humor local, em um momento em que cresce a percepção de fraqueza da atividade após dados de serviços e de varejo abaixo do esperado.

Após oscilar entre os 173.537 pontos e os 176.011 pontos, o Ibovespa encerrou em queda de 1,24%, aos 173.825 pontos. O movimento no índice também foi intensificado pela menor liquidez no pregão. Hoje, o volume financeiro negociado pela principal referência acionária local foi de R$ 13,5 bilhões e chegou a R$ 19,3 bilhões na B3.

O menor apetite por risco global também afetou em cheio as blue chips. No fim, as PN da Petrobras recuaram 1,72%, enquanto as ON da Vale perderam 2,05%, em linha com pares globais.

Bancos também cederam em bloco, principalmente as ON do Bradesco, que perderam 2,02%. A exceção ficou para as ON do Banco do Brasil, que subiram 1,02%.

Ainda que o "tarifaço" já estivesse nos preços, analistas lembram que alguns setores podem ser mais afetados, embora as companhias argumentem que irão reorganizar as cadeias para não serem tão afetadas. Entre os exemplos de companhias que podem sofrer estão a WEG, em virtude da exportação de máquinas elétricas. Já a Embraer não deve ser afetada por ter permanecido isenta, assim como ocorreu da última vez.

Em um momento em que a conjuntura macroeconômica local parece menos favorável para a tomada de risco e em que os investidores estrangeiros retiram recursos da B3, a avaliação da Vinland Capital é que o avanço da bolsa local irá depender de pequenos gatilhos até a chegada das eleições, como o que ocorreu nos últimos dias, com números do IPCA bem abaixo do esperado, ou dados mais fracos de inflação nos Estados Unidos.

"Não consigo fazer uma aposta estrutural comprada em bolsa neste momento", diz o sócio e gestor de ações da Vinland Capital, Rodrigo Andrade. "O jeito que pensamos é mais tático. Dada a incerteza, fica muito difícil montar posições estruturais em bolsa local. O vaivém de notícias gera muita volatilidade e temos tentado 'surfar' os dados", explica o executivo.

Embora os investidores estrangeiros tenham voltado a apresentar um saldo positivo de R$ 1,6 bilhão em ações já listadas na B3 até a última terça-feira (13), Andrade afirma que os sinais de retorno do alocador não residente ainda são pouco expressivos.

"Acho que a dinâmica do [investidor] estrangeiro ainda é de saída. Esta semana teve um fundo de fora que zerou a posição vendida ( “short”) em Brasil, mas isso é um 'grão' em relação ao todo. A saída [de estrangeiros] ainda é grande recentemente", avalia.

Em NY, o dia também foi negativo. O Nasdaq cedeu 1,47%, o S&P 500 perdeu 0,51%, e o Dow Jones teve baixa de 0,20%.