Ajudas pontuais como o Desenrola podem até dar algum fôlego aos endividados, mas não resolvem questões estruturais que têm exigido juros em patamares tão elevados há tanto tempo

Dados do Banco Central (BC) expuseram uma realidade que boa parte dos brasileiros conhece bem. A inadimplência média nas operações de crédito total subiu de 4,6% em abril para 4,7% em maio, o maior nível da série histórica, iniciada em 2011. Decomposto, o indicador descreve um cenário igualmente ruim. Em operações de crédito livre, as dívidas com atraso há mais de 90 dias cresceram de 6,1% para 6,2%; nessa mesma modalidade, o calote entre as pessoas físicas avançou de 7,4% para 7,6%, e entre empresas aumentou de 4% para 4,1%.

Se parte desse fenômeno até pode ser atribuída a uma mudança na forma de contabilização da inadimplência pelo Banco Central, como a própria instituição reconheceu, é inegável que a pindaíba é generalizada entre pessoas físicas e jurídicas e os mais diversos setores da economia. Mesmo nas operações de crédito direcionado, que fazem uso de recursos da poupança e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para cobrar juros mais baixos, a inadimplência subiu de 2,7% para 2,8%.