Em meio às agressões norte-americanas no Estreito de Ormuz, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (28/06) que o controle da passagem marítima permanecerá sob responsabilidade exclusiva do Irã. Ele também alertou para atrasos no restabelecimento do tráfego comercial na região diante de qualquer tentativa de alterar o acordo firmado entre Teerã e Washington. [...]

Em meio às agressões norte-americanas no Estreito de Ormuz, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (28/06) que o controle da passagem marítima permanecerá sob responsabilidade exclusiva do Irã. Ele também alertou para atrasos no restabelecimento do tráfego comercial na região diante de qualquer tentativa de alterar o acordo firmado entre Teerã e Washington.

A declaração ocorreu durante uma coletiva de imprensa, em Bagdá, com o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Fuad Hussein. “O Estreito de Ormuz permanecerá sob total supervisão e gestão do Irã durante os próximos 30 dias”, afirmou o chanceler, acrescentando que “após a remoção de todos os obstáculos, a capacidade total da hidrovia será restaurada”.

“Qualquer tentativa de impor novos acordos só levará a complicações e atrasará a reabertura do Estreito de Ormuz”, afirmou, destacando que as decisões sobre a gestão da hidrovia não devem ser submetidas a pressões externas e reiterando que “qualquer novo desenvolvimento resultará no agravamento da situação e também no atraso da abertura do estreito. Isso também aumentará o nível de escalada”.

Neste domingo (28/06), o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a ofensiva dos Estados Unidos contra a costa iraniana como um “ataque brutal”, afirmando que a ação demonstra que Washington “não atribui o mínimo valor ou credibilidade aos seus compromissos”.

Teerã acusou os Estados Unidos de violarem o Memorando de Entendimento (MoU) firmado entre os dois países e a Carta das Nações Unidas. Após os ataques, o presidente norte-americano Donald Trump ameaçou: “pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a concluir militarmente o trabalho que começamos com muito sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir”.

Diante da escalada, o chanceler iraniano defendeu a criação de uma nova arquitetura de segurança regional, sem a participação de potências externas, reiterando a proposta do presidente Masoud Pezeshkian apresentada durante seu encontro com os países do Oriente Médio, na última quarta-feira (24/06).

Ele afirmou que o Irã apoia a proposta iraquiana de estabelecer um mecanismo de diálogo envolvendo os países do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, além de Irã e Iraque.

Esta é a primeira visita oficial do chanceler ao exterior após a retomada dos ataques militares por Washington, na sexta-feira (26/06). Araghchi afirmou que a viagem ao Iraque ocorreu em um “contexto especial e delicado” e agradeceu ao governo de Bagdá e ao povo iraquiano pelo apoio manifestado durante a guerra.

Segundo o chanceler, a visita teve três objetivos principais: agradecer ao Iraque pelo apoio prestado ao Irã, cumprimentar o novo governo iraquiano e coordenar os preparativos para as cerimônias fúnebres do falecido Líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Seyed Ali Khamenei, que deverão ocorrer nas cidades sagradas de Najaf, Karbala, Samarra e Kadhimiya.

O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Fuad Hussein, reiterou a oposição de Bagdá à guerra e a qualquer agressão contra Estados da região. Ele afirmou que os acontecimentos recentes provocaram uma perigosa escalada do conflito e advertiu que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz teria graves consequências para as exportações de petróleo iraquianas.

Segundo ele, Bagdá está disposta a sediar uma cúpula regional reunindo os países do Golfo Pérsico, além de Irã e Iraque.

Fonte: Opera Mundi | UOL