Oncologista explica quando a exposição a determinadas substâncias merece atenção; Pequenas mudanças na rotina ajudam a reduzir os perigos
Muitos produtos presentes em casas ao redor do mundo podem conter substâncias associadas ao aumento do risco de câncer, mas isso não significa que seu uso leve automaticamente ao desenvolvimento da doença. O alerta foi feito pelo oncologista britânico Justin Stebbing, que reuniu dez itens comuns que merecem atenção e destacou que o principal fator é a exposição prolongada e repetida a determinados compostos químicos.
Entre os objetos citados estão panelas antiaderentes antigas, recipientes plásticos, velas aromáticas, purificadores de ar, produtos de limpeza, pesticidas, tintas, cosméticos, embalagens plásticas para alimentos e materiais que contenham amianto ou possam expor moradores ao gás radônio. Em comum, eles podem liberar compostos como PFAS, benzeno, formaldeído ou outros poluentes, especialmente quando usados de forma inadequada ou em ambientes pouco ventilados.
Segundo o especialista, o objetivo não é causar alarme, mas incentivar escolhas mais seguras no dia a dia. Em muitos casos, pequenas mudanças já ajudam a diminuir a exposição, como substituir recipientes de plástico por vidro, evitar aquecer alimentos em embalagens plásticas, manter os ambientes ventilados durante a limpeza e optar por produtos com menor quantidade de compostos orgânicos voláteis (VOCs).
As panelas antiaderentes merecem atenção principalmente quando são muito antigas, estão riscadas ou são aquecidas em temperaturas muito elevadas. Já as versões mais modernas, produzidas sem PFOA, apresentam um perfil de segurança melhor quando utilizadas conforme as recomendações do fabricante. Especialistas ressaltam que o risco depende do estado do utensílio e da forma de uso, e não apenas do fato de ele possuir revestimento antiaderente.
Produtos de limpeza, tintas e aromatizadores também aparecem na lista porque podem liberar substâncias que afetam a qualidade do ar dentro das residências. A recomendação é privilegiar versões sem fragrâncias intensas, utilizar esses produtos com janelas abertas e evitar misturar diferentes agentes químicos, prática que pode aumentar a formação de gases irritantes.
Outro ponto destacado pelo médico envolve cosméticos e alisantes capilares que contenham formaldeído ou outros ingredientes associados a riscos quando usados com frequência. Embora os estudos indiquem que a maior preocupação recaia sobre pessoas expostas ocupacionalmente, como profissionais de salões de beleza, consumidores também devem ler os rótulos e priorizar produtos com formulações mais seguras.
Apesar da lista chamar atenção, pesquisadores reforçam que os principais fatores de risco para o câncer continuam sendo o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a obesidade, a alimentação inadequada e o sedentarismo. Reduzir a exposição a substâncias potencialmente cancerígenas é uma medida preventiva importante, mas hábitos saudáveis continuam tendo impacto muito maior na diminuição do risco da doença.



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