Keiko Fujimori tomará posse nesta terça-feira como presidente do Peru, em cerimônia prevista para começar às 14h15 (horário de Brasília). A filha de 51 anos do ex-presidente Alberto Fujimori será a primeira mulher eleita para chefiar o Estado peruano e se tor…

Keiko Fujimori tomou posse como presidente do Peru nesta terça-feira, tornando-se a mais recente líder conservadora eleita na América Latina em meio à insatisfação dos eleitores com a criminalidade, o fraco crescimento econômico e a instabilidade política.

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A filha de 51 anos do ex-presidente Alberto Fujimori é a primeira mulher eleita para chefiar o Estado peruano.

Sua vitória no segundo turno da eleição presidencial de junho marcou o retorno de uma das dinastias políticas mais influentes e polarizadoras do Peru e coroou uma recuperação política após anos de derrotas em disputas presidenciais.

"Assumo o cargo com a firmeza necessária para governar, mas também com a sensibilidade exigida para ouvir e curar as feridas do nosso povo", afirmou Fujimori em seu primeiro discurso como presidente, conclamando à reconciliação após uma disputa eleitoral acirrada marcada por acusações de fraude.

"Precisamos ter a coragem de enfrentar nossa realidade de frente, sem anestesia, sem maquiagem e sem meias verdades", acrescentou.

Fujimori será a décima presidente do Peru desde 2016, após uma década turbulenta na qual nenhum governante conseguiu concluir um mandato completo de cinco anos.

Sua eleição amplia o movimento de avanço da direita na América Latina, com uma série de líderes recentemente eleitos defendendo relações mais estreitas com os Estados Unidos e políticas mais duras de combate ao crime.

Fujimori afirmou que há um "espaço muito significativo" para cooperação com o governo do presidente americano Donald Trump e manifestou interesse em que o Peru participe do "Escudo das Américas", iniciativa regional proposta por Trump para combater o crime transnacional.

Washington vem fazendo um de seus maiores esforços dos últimos anos para aprofundar os laços com o Peru, importante produtor de cobre e minerais críticos e detentor de portos estratégicos no Pacífico, em uma tentativa de conter a influência da China na região.

O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, participou da cerimônia de posse e se reuniu com Fujimori em Lima antes do evento, segundo publicação feita por ele na rede social X.

Também participaram da cerimônia o presidente da Argentina, Javier Milei, além de Antonio Kast, do Chile, e Rodrigo Paz, da Bolívia.

Na segunda-feira, Fujimori nomeou o ex-diretor do banco central Elmer Cuba para o Ministério da Economia e Carlos Espa, ex-candidato à Presidência que também trabalhou na embaixada dos Estados Unidos em Lima, para o Ministério das Relações Exteriores.

Durante seu discurso, Fujimori afirmou ainda que herdou um Peru "castigado" pela insegurança, pela má governança e pela desconfiança da população, ao mesmo tempo em que prometeu cortar gastos desnecessários, melhorar o ambiente de negócios e elevar o salário mínimo.

"Vim oferecer método, disciplina, trabalho duro e um roteiro claro", afirmou.

Congresso e desafios econômicos

Fujimori derrotou por estreita margem o deputado de esquerda Roberto Sánchez em uma das eleições mais disputadas da história recente do Peru. Sánchez alega, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral e prometeu liderar um bloco de oposição de esquerda no Congresso.

Parlamentares do partido de Sánchez deixaram o plenário do Congresso nesta terça-feira e se recusaram a ouvir o discurso de Fujimori.

Protestos contra sua candidatura reuniram centenas de ativistas de esquerda e integrantes da sociedade civil em Lima antes do segundo turno. Novas manifestações estavam previstas para coincidir com a posse desta terça-feira.

Espera-se que o partido de Fujimori, o Força Popular, forme a maior bancada de minoria em um Congresso fragmentado, que voltou a adotar o sistema bicameral pela primeira vez em três décadas.