Fundação americana destina US$ 59 milhões para América Latina e Caribe no primeiro ano do escritório regional

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Foi na semana de jogos da Colômbia e do Brasil na Copa do Mundo que Lyana Latorre, 50, vice-presidente da Fundação Rockefeller para a América Latina e o Caribe, conversou com a Folha. Em sua sexta visita ao Brasil, a colombiana estava alegre com o 3 a 1 imposto pela sua seleção sobre o Uzbequistão no dia anterior.

"Na Colômbia torcemos como se torce no Brasil", disse ela para fazer frente às bandeiras verde e amarelas nas janelas do centro de São Paulo.

De seu país natal, a executiva lidera o escritório regional da entidade filantrópica americana, criada em 1913 por um magnata da indústria do petróleo, que soma hoje US$ 6 bilhões (R$ 30,8 bilhões) em patrimônio.

A unidade em Bogotá foi inaugurada em janeiro de 2025, época em que Donald Trump anunciou o fim da ajuda humanitária internacional via Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional).

"O momento não foi o melhor porque havia urgência de organizações que dependiam dessa doação", afirma.

Dos US$ 350 milhões (aproximadamente R$ 1,8 bilhão) doados pela Rockefeller em 2025, US$ 59 milhões (17% do total) tiveram como destino a América Latina e o Caribe, vistos como estratégicos para conter os danos da mudança climática no planeta.

Alimentação escolar, saúde, energia e agricultura regenerativa são as prioridades da fundação, que quer fortalecer a filantropia na região, começando pelo que Latorre chama de "mudança de mentalidade".

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"Nós, latino-americanos, somos muito generosos. Mas isso é caridade, não é filantropia", diz a executiva, para quem o Brasil está um passo a frente de seus vizinhos com mecanismos financeiros que posicionam a filantropia como catalisadora de inovação social.

A Rockefeller abriu escritório na América Latina no momento em que a ajuda internacional recuou. Foi proposital? Não. Estávamos nos planejando para abrir o escritório há dois anos. O momento não foi o melhor porque havia urgência de organizações que dependiam dessa doação, então havia muitos pedidos de ajuda à Rockefeller.

Vejo esses cortes no financiamento como oportunidade para mudar como enxergamos a filantropia. Precisamos mudar a mentalidade porque apenas receber dinheiro te ajuda a lidar com problemas urgentes, mas não leva a mudanças estruturais.

Como seria essa mudança de mentalidade? Nós, latino-americanos, somos muito generosos. Mas isso é caridade, não é filantropia. Precisamos mudar a linguagem para se aproximar do setor privado.

Eu não uso mais as palavras doação, beneficiário ou caridade. Falo em contribuição e parceria. Claro que a Rockefeller faz doações pontuais, mas queremos nos diferenciar de modelos tradicionais de ajuda internacional ao incentivar colaborações entre organizações de base, bancos multilaterais, setor privado e governos.