Movimento faz parte de estratégia pra contra-atacar repercussão do caso Lulinha; oposição busca assinatura por CPMI

Compartilhar matériaA líder do governo no Senado Federal, Teresa Leitão (PT-PE), enviou na quinta-feira (20) dois ofícios solicitando informações à PF (Polícia Federal) e à PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o caso "Dark Horse", que envolve o financiamento do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A iniciativa de Teresa Leitão ocorre em meio à ofensiva da oposição no Congresso Nacional sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos ofícios, a senadora questiona quais procedimentos, petições, inquéritos e investigações tramitam ou tramitaram sobre o suposto financiamento de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à cinebiografia de Bolsonaro.

O financiamento do filme teria sido negociado diretamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, em tratativas com Vorcaro para o repasse de R$ 134 milhões para bancar a produção. A informação foi revelada em reportagem do Intercept Brasil, que teve acesso a áudios, mensagens, documentos e comprovantes bancários relacionados às tratativas entre Flávio e Vorcaro.

Os recursos direcionados ao filme seguem sob investigação. Em julho, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal a abrir inquérito para investigar os repasses feitos por Vorcaro para a produção.

A investigação busca rastrear cerca de R$ 61 milhões, parte dos recursos prometidos que teriam sido repassados pelo banqueiro. O inquérito tramita sob sigilo e apura se houve irregularidade nos pagamentos ou eventual contrapartida relacionada a Flávio.

O caso Dark Horse foi um dos principais desgastes para Flávio Bolsonaro durante a pré-campanha e um dos fatores que dificultaram uma tração inicial maior do candidato. Em maio, Flávio havia dito à CNN que estava “100% disposto” a tornar público o contrato relacionado ao financiamento do longa.

Segundo ele, o dinheiro recebido de Vorcaro, então dono do Master, havia sido integralmente aplicado na produção. Na ocasião, ponderou que a divulgação do contrato dependeria das regras de compliance de um fundo privado sediado nos Estados Unidos.

Dias depois, o senador afirmou ter solicitado à produtora Go Up Entertainment uma prestação de contas das despesas e defendeu que o detalhamento deveria ser feito de forma transparente. O prazo mencionado por Flávio naquele momento era de 30 dias.

Mais de 90 dias depois, a prestação de contas ainda não foi apresentada publicamente.

Na quinta-feira (20), o senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, começou a recolher assinaturas de deputados e senadores para o pedido de abertura de uma nova CPMI para investigar a atuação de Lulinha.

No mesmo dia, Viana enviou ao ministro André Mendonça um pedido de aprofundamento das investigações e de preservação de provas digitais no caso.

Sob reserva, fontes ligadas ao PT afirmam que a iniciativa de Teresa Leitão faz parte de uma estratégia para reagir à ofensiva da oposição sobre o caso Lulinha.

A parlamentar também questionou no ofícios encaminhados se existe procedimento relacionado a uma disputa judicial por uma mansão de R$ 10 milhões em Angra dos Reis (RJ) que envolve um amigo de Flávio Bolsonaro. A líder do governo pede ainda acesso a informações que não estiverem protegidas por sigilo.