A sequência de agendas do presidente Lula (PT) no Rio de Janeiro faz parte de uma estratégia da equipe do petista de aproveitar a fragilização do palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) em sua base eleitoral. Leia mais (06/23/2026 - 23h00)
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23.jun.2026 às 23h00
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A sequência de agendas do presidente Lula (PT) no Rio de Janeiro faz parte de uma estratégia da equipe do petista de aproveitar a fragilização do palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) em sua base eleitoral.
Lula tem buscado colher frutos da atuação do desembargador Ricardo Couto como governador interino, cuja condução do Palácio Guanabara tem sido avaliada de forma positiva pelo eleitorado, segundo pesquisas internas. O magistrado tem promovido auditorias em contratos e exonerações de possíveis funcionários fantasmas.
A iniciativa da equipe petista visa reverter a vantagem que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) obteve no estado nas últimas duas eleições. A redução da diferença, que foi de 14 pontos percentuais em 2022 e 36 em 2018, já é considerada uma conquista pela campanha.
O presidente participou de cinco agendas ao lado de Couto nesta segunda (22) e terça-feira (23) no Rio de Janeiro.
O principal evento foi a assinatura do termo de adesão do Governo do Rio de Janeiro ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), que permite o refinanciamento da dívida dos estados com a União mediante contrapartidas, como investimentos em áreas como educação.
A gestão fluminense afirma que a dívida com a União, atualmente em R$ 210,6 bilhões, cairá para R$ 168,5 bilhões. A partir de julho, a parcela mensal paga pelo estado terá redução média de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões. Só este ano, o alívio é calculado em R$ 3 bilhões.
Lula também assinou convênios do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para obra em três favelas somando R$ 700 milhões.
Nos eventos, Couto tem tentado manter uma postura neutra, destacando no início de suas falas o fato de "não ser político". Contudo, agradeceu em todos os eventos em que discursou a assinatura do Propag, o que chamou de "presente" e símbolo da "união, que hoje felizmente temos no Rio de Janeiro".
A União também negocia com São Paulo, Minas Gerais e Goiás a adesão ao programa.
Além do vínculo com Couto, o presidente ressalta contraponto com a gestão anterior, de Cláudio Castro (PL), aliado de Flávio. Ao anunciar os investimentos em favelas da capital estadual, Lula puxou o desembargador pelo braço, pediu aplausos para ele, e disse que o governador interino tinha uma "tarefa muito nobre".
"É tentar moralizar a política e acabar com a corrupção no Rio de Janeiro", afirmou o presidente.
O movimento de Lula visa aproveitar o enfraquecimento do palanque de Flávio no Rio de Janeiro. Cláudio Castro abriu mão da pré-candidatura ao Senado após ser alvo de operações da Polícia Federal sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Ricardo Magro, em maio.

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