Presidente deve se reunir nesta semana com o senador, alvo de operação da PF, para decidir se ele continua como líder do governo no Senado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir nesta semana com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, para definir se ele permanecerá no cargo após uma operação da Polícia Federal atingir o parlamentar na quinta-feira (18). A possibilidade de troca ganhou força no Planalto, enquanto Wagner resiste à saída e também calcula os efeitos da crise sobre sua tentativa de reeleição.
A conversa depende da agenda de Lula. Nesta segunda-feira (22), o presidente cumpre compromissos no Rio de Janeiro e depois deve seguir para São Paulo no início da semana. A expectativa é que Wagner se encontre com lideranças do PT antes de falar com o presidente.
Jaques Wagner estava na Bahia durante as ações da PF. Lula pediu que o senador voltasse a Brasília para discutir os próximos passos, e a primeira previsão era que ele chegasse ao Distrito Federal ainda na sexta-feira (19). O encontro acabou adiado por causa dos desdobramentos da operação.
Integrantes do governo cobram uma resposta política às investigações que envolvem o senador. Aliados avaliam que o caso pode afetar o tabuleiro eleitoral e criar desgaste para a campanha de Lula, mas também consideram que a retirada de Wagner da liderança poderia enfraquecer candidaturas petistas na Bahia, onde ele aparece competitivo na disputa por uma das duas vagas ao Senado.
Wagner afirmou que não pedirá para deixar a liderança e disse que Lula não tratou dessa possibilidade no telefonema que tiveram após a operação. “Não acho que o Lula vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, afirmou.
A permanência do senador tem peso político para o PT na Bahia e passa pela relação pessoal com Lula. Wagner foi ministro do Trabalho e ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais no primeiro governo petista, além de ter comandado os ministérios da Defesa e da Casa Civil nas gestões de Dilma Rousseff.
A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero e colocou Wagner entre os alvos. A investigação apura possível vínculo entre o entorno familiar do senador, empresas relacionadas a ele e nomes conectados ao Banco Master, já liquidado. Segundo a PF, os elementos reunidos indicam “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente” por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias ligadas ao banco.
Na nova etapa, agentes encontraram cerca de US$ 55 mil, equivalentes a R$ 284,1 mil, 33 mil euros, equivalentes a R$ 196,3 mil, e relógios em endereços ligados ao senador em Brasília e Salvador. A PF também apontou suposto pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador e citou uma mensagem atribuída ao parlamentar a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master: “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões”.
A representação encaminhada ao STF também menciona uso gratuito de jatinhos particulares vinculados a Augusto Lima ou ao Banco Master, ingressos para shows internacionais em Los Angeles, nos Estados Unidos, e pagamentos a uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar. A PF sustenta que Augusto mantinha contato direto com Wagner e cuidava de operações financeiras e envio de benefícios ao político.
A liderança de Wagner já sofria questionamentos desde a derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no STF. O Planalto calculava que o advogado-geral da União teria 45 votos, mas o Senado rejeitou a indicação por 42 votos contrários e 34 favoráveis; na época, aliados atribuíram ao líder do governo falhas na articulação e na avaliação do placar.

0 Comentário(s)
Deixe seu comentário