Lula deve se reunir com Jaques Wagner após operação da PF que atingiu o senador e colocou a liderança do governo no Senado em discussão.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir nesta semana com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, para definir se ele continuará no cargo após a operação da Polícia Federal que atingiu o parlamentar.
A conversa depende da agenda de Lula, que cumpre compromissos no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (22) e deve ir a São Paulo no início da semana. O presidente pediu que Wagner voltasse a Brasília para discutir os próximos passos, mas o encontro acabou adiado em razão dos desdobramentos da operação.
A pressão interna por uma resposta do governo cresceu depois da ação da PF. Integrantes do Planalto avaliam que o caso pode prejudicar a campanha de Lula e lembram que a liderança de Wagner já vinha sob cobrança desde a derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no STF, quando o governo esperava 45 votos e recebeu 34 apoios contra 42 votos contrários.
Wagner resiste a deixar a liderança e mira a reeleição ao Senado pela Bahia, onde pesquisas de intenção de voto o colocam em disputa competitiva ao lado do ex-ministro Rui Costa. O senador também mantém relação de proximidade com Lula desde os governos petistas anteriores e afirmou que não pedirá para sair: “Não acho que o Lula vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”.
A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira a 9ª fase da Operação Compliance Zero e incluiu Jaques Wagner entre os alvos. A corporação investiga um possível vínculo entre o entorno familiar do senador, suas empresas e nomes conectados ao Banco Master, já liquidado.
Segundo a PF, os investigadores identificaram elementos que indicam o “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente” por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias ligadas ao banco. Agentes encontraram cerca de US$ 55 mil, equivalentes a R$ 284,1 mil, € 33 mil, equivalentes a R$ 196,3 mil, e relógios em endereços ligados ao senador em Brasília e Salvador.
A PF afirma que Wagner mantinha contato direto com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, apontado pela investigação como responsável por operações financeiras e pelo envio de benefícios ao político. Entre os itens citados está o suposto pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador; em uma conversa monitorada, o senador enviou o contato do gerente da construtora a Augusto e escreveu: “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões”.
Na representação encaminhada ao STF, a PF também citou uso gratuito de jatinhos particulares vinculados a Augusto Lima ou ao Banco Master, ingressos para shows internacionais em Los Angeles e pagamentos destinados a uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador. Na sexta-feira (19), jornalistas perguntaram a Lula se Wagner seguiria como líder do governo no Senado; o presidente fez um gesto de “joia”, mas não respondeu.

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