Show da formação original da banda encheu 4 mil pessoas de nostalgia no Araújo Vianna, em Porto Alegre, na noite de sábado, 27 de junho
Existem muitas opiniões sobre qual é a banda nacional mais visceralmente roqueira das dezenas que surgiram nos anos 1980. Para uma pessoa que, como eu, viu estas bandas nos anos 80, posso afirmar que o Barão Vermelho é a mais roqueira daquela geração. Isto após 2h10min e 29 músicas que abrangeram os 45 anos de carreira da banda na noite de sábado, 27, no Araújo Vianna, na Capital. O show “Barão Vermelho Encontro” reuniu o quarteto original (menos Cazuza, morto em 1990), com Roberto Frejat (guitarras), Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclados) e Dé Palmeira (baixo), mais o guitarrista que acompanha a banda desde 1995, Fernando Magalhães (também vocais), com o apoio de Cezinha, irmão de Peninha que morreu em 2016 (percussão), Rafael Frejat (guitarras e vocais), filho de Frejat; e naipe de metais de Zé Carlos Bigorna (saxofone), Diogo Gomes (trompete) e Marlon Sette (trombone), além de Jussara Moreno nos backing vocals. O show começou às 21h20min, cercado de expectativa e ansiedade gigante.
E os barões começaram entregando tudo e muito mais, com “Maior Abandonado”, ainda só o quarteto, e a massa de 4 mil pessoas cantando junto com uma vitalidade que transcendia as idades que variavam dos 12 aos 80 anos. Na segunda canção, “Pedra Flor e Espinho”, entra Fernando Magalhães e a base de riffs e fraseados fica mais encorpada. Frejat, com uma traje de veludo azul e uma manta gris, esmirilha nos solos de guitarra, emendando em “Pense Dance”.
Na primeira fala maior direcionada ao público, Frejat ressalta que o show Encontro homenageia três pessoas especiais para a banda: Cazuza, o integrante original e eterno vocalista da banda; Peninha, o percussionista da banda durante quase 30 anos; e Ezequiel Neves, o Zeca, jornalista que foi uma espécie de padrinho da banda.
E aí a banda emendou com “Política Voz” e “Bete Balanço”, a trilha do filme com Deborah Bloch de 1985, que o público cantou e dançou a plenos pulmões. Frejat conversou novamente com o público e disse que agora iria ver se “vocês são rock’n’roll mesmo”. Eles disparam um set com “Ponto Fraco”, “Tente Outra Vez” (de Raul Seixas) e “O Tempo não Para” e as ideias deles continuando a corresponder aos fatos. Em outra pausa para conversa, Frejat lembrou que a próxima música foi a única composta pelos dois no mesmo recinto, foi um hotel em Porto Alegre, ali para as bandas da avenida Farrapos e foi um blues: “Não Amo Ninguém”.
Após “Codinome Beija-Flor” e “Por Você” foi a vez de Guto Goffi assumir o comando da voz e apresentar os seus amigos do quarteto original, além de fazer o seu solo de bateria, que começa pela excelente técnica nos pratos, seguindo na bateria eletrônica, até caixa, surdo, tons e demais elementos rítmicos. Foi um espetáculo à parte.
E o momento mais emocionante da noite foi quando em “Todo amor que houver nessa vida”, a banda começa o instrumental, mas quem canta mesmo é Cazuza e sua imagem preenche o telão e os corações dos fãs, terminando com Cazuza desejando amor às pessoas. Seguiram-se uma dezenas de canções com destaque para um set de covers com “Amor, meu grande amor” (de Angela Ro Ro e Ana Terra), “Vem quente que eu estou fervendo”, de Eduardo Araújo e Carlos Imperial, e “Malandragem dá um tempo”, imortalizada por Bezerra da Silva, cantada por Maurício Barros. Depois, ainda tivemos um cover de Legião Urbana, “Quando o sol bater na janela do teu quarto”. A primeira parte do show acabou com “Puro Êxtase”, mas é claro que o público pediu mais um e vieram mais quatro no bis: “Bilhetinho azul”, com os quatro em formação acústica, além de “O Poeta está Vivo”, “Por que a gente é assim?”, e “Pro dia nascer feliz”, com o puro êxtase dos fãs que se embalaram com mais de duas horas de puro rock que atravessou 45 anos com a mesma vitalidade dos anos 80, com o show encerrando às 23h30min, sob agradecimentos emocionados do quarteto.
SET LIST – SHOW DO BARÃO –
SÁBADO, 27/6 – ARAÚJO VIANNA




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