Quatro anos depois, seleção africana faz valer jogo após jogo a frase que 'a bola não entra por acaso' e deve incomodar os franceses

Por Klaus Richmond, de Houston (EUA)

5 min de leitura04/07/2026 • 16:17Ouça o artigo agora0:004:16A famosa frase do executivo espanhol Ferran Soriano de que “a bola não entra por acaso”, que inspirou o livro homônimo publicado no Brasil em janeiro de 2013, explica os segredos do sucesso do vitorioso Barcelona como resultado de planejamento, estratégia e trabalho árduo.

O mesmo conceito poderia perfeitamente ser aplicado à seleção do Marrocos.

Entrar no canal Em entrevista concedida na véspera do decisivo confronto contra o Canadá, o técnico Mohamed Ouahbi apontou, orgulhoso, que a evolução do país nas últimas duas décadas pode ser atribuída ao fato de terem encontrado um modelo de jogo sólido, impulsionado diretamente pelos investimentos do rei Mohammed VI.

Semifinalista na Copa do Mundo de 2022 — e apontado por muitos, na época, como a “zebra” do torneio —, o time africano prova, quatro anos depois, não ser uma mera obra do acaso. Muito pelo contrário.

Pressionado durante boa parte do primeiro tempo por uma empolgada seleção do Canadá, coanfitriã do torneio e pela primeira vez nos mata-matas, coube aos marroquinos a arte de mostrar como se faz “futebol de gente grande”. O placar foi construído com base na eficiência.

Marrocos está classificado para as quartas de final da Copa – X/EnMaroc

No primeiro gol, Hakimi cobrou de forma ensaiada uma falta rasteira pela direita, já próximo ao escanteio. A jogada foi definida com precisão, em um chute da entrada da área de Ounahi: 1 a 0, a única finalização de Marrocos até ali.

No segundo, um contra-ataque de almanaque depois de uma bola roubada por Talbi. Ele deu bom passe para Brahim Díaz, que já dentro da grande área tocou para Ounahi chutar e ampliar. Ainda houve tempo para o terceiro.

Na véspera do confronto, curiosamente, o técnico rival, Jesse Marsch, havia apontado que o adversário não possuía pontos fracos. A fala soou para os jornalistas presentes como uma inteligente tática de Marsch para aliviar a pressão dos canadenses e transferi-la para os marroquinos.

No entanto, o que se viu no NRG Stadium, em Houston, foi quase o cenário antecipado pelo treinador: um time que pouco erra, demonstra uma letalidade incomum e joga como se tivesse sempre o controle da situação.

Marrocos ainda não perdeu na competição — acumula empates contra o Brasil, na fase de grupos, e Holanda, nos 16 avos de final, além de vitórias contra Escócia, Haiti e Canadá — e ostenta números assombrosos. Em 2026, a equipe segue invicta, com oito vitórias e cinco empates. No ano anterior, sofreu apenas um revés (para o Quênia, fora de casa) em 26 jogos disputados.

Ounahi: um dos líderes da talentosa geração marroquina – X/EnMaroc

Esse sucesso é fruto de um trabalho que começou em 2010, quando o país passou a investir pesado em estrutura e formação de atletas, mesmo que esta seja encerrada fora do país, como nos casos de Hakimi e Brahim Díaz. Foi naquele ano que se inaugurou a Academia de Futebol Mohammed VI, na cidade de Salé, com um aporte de 13 milhões de euros à época.

A estrutura imponente tem mais de 9 mil m², cinco edifícios, seis campos e puxa a fila de um conjunto de vários centros semelhantes espalhados por todo o país. O investimento rendeu uma das maiores conquistas do futebol do país em 2025, a Copa do Mundo sub-20, disputada no Chile.

Nem mesmo a saída de Walid Regragui, comandante da histórica campanha no Mundial do Catar, freou o processo. Coube a Ouahbi, mentor da nova geração, assumir o cargo para dar sequência ao sólido trabalho.

Quatro anos depois, agora nas quartas de final, a tendência é que os marroquinos reencontrem os franceses — que eliminaram o país na semifinal do último Mundial. Pensar em vitória contra a melhor seleção da Copa até aqui ainda é um passo ousado. Mas uma coisa é certa: Marrocos sabe exatamente o que faz em campo e vai incomodar.

Seguir no Google Tags relacionadasCopa do Mundo(754)Copa do Mundo 2026(252)Seleção de Futebol da Suíça(15)Seleção de Futebol do Marrocos(46)Assine o clube de membros e acesse a revista digital e física

Marrocos suporta pressão, castiga Canadá no contra-ataque e avança na Copa

Noruega só perdeu para França e Itália na história das Copas do Mundo