Casa Branca decidiu aliviar as restrições impostas à seleção iraniana de futebol, adianta a Associated Press. Agência APA: presidente do parlamento do Irão fala numa "declaração de derrota" dos EUA.

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Está no ar mais uma edição da Guerra Traduzida, podcast especial pra acompanhar a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. Eu sou o Carlos Pedro, a edição de hoje é do jornalista Miguel Gato. Boa tarde, Miguel.

Vamos começar com o presidente do Parlamento iraniano, que diz que o memorando de entendimento alcançado entre Estados Unidos e Irão é uma declaração de derrota da Casa Branca.

E sublinha que Teerão resistiu e alcançou a vitória com o acordo alcançado com Washington. Foi o que disse Mohammad Bagher Ghalibaf, citado pela agência APA, no discurso na abertura da 20ª sessão da Conferência da União Parlamentar dos Estados Membros da Organização de Cooperação Islâmica. Aconteceu este evento em Baku, no Azerbaijão. O presidente do Parlamento iraniano diz ainda que aqueles que planearam a agressão contra o Irão acreditavam que por via da pressão militar, pelo bloqueio e pelas operações psicológicas e atos de terror, estou a citar: "Poderiam forçar o povo iraniano a recuar, mas tal não aconteceu". Ghalibaf diz ainda que o povo iraniano demonstrou que a era da imposição chegou ao fim. Estados Unidos e o Irão assinaram um memorando de entendimento que pôs fim às hostilidades, reabriu o estreito de Ormuz e abriu ainda um período de 60 dias para negociar um acordo nuclear e ainda o alívio das sanções contra o Irão.

Miguel, ainda sobre este memorando de paz, o secretário de Estado norte-americano está a propor separar as negociações com o Líbano das conversações entre Estados Unidos e Israel.

Apesar de Teerão insistir repetidamente que as questões estão interligadas, Marco Rubio quer ver estas duas matérias separadas. Citado pela CNN, Rubio diz que o Líbano é um país soberano e que por isso as negociações são diretamente com o governo do país, sem incluir responsáveis do Irão. Há apenas um ponto que liga Irão e Líbano, o apoio e patrocínio que Teerão faz ao Hezbollah, é o que diz Marco Rubio. Este fator é discutido como parte das conversações com os iranianos, mas no que diz respeito ao futuro do Líbano, pertence apenas ao povo libanês, através do governo soberano que elegeu. E é com os Estados Unidos que esse governo vai trabalhar, é o que garante a Casa Branca, aqui na voz do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Ontem o Hezbollah voltou a exigir a retirada total de Israel do sul do Líbano. O grupo xiita insiste num calendário que permita que o exército libanês controle as posições atualmente ocupadas pelas forças israelitas.

E Donald Trump critica o Senado, que está a tentar limitar os poderes de guerra do presidente norte-americano.

Sim, em causa a resolução enquadrada na Lei dos Poderes de Guerra de 1973, que foi aprovada ontem pela Câmara Alta do Parlamento dos Estados Unidos para restringir o uso da força militar sem autorização legislativa. Este é um tema que está em destaque em grande parte da imprensa norte-americana. Na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos critica os legisladores que apoiaram a resolução e defende que a iniciativa complica o trabalho da Casa Branca, do Executivo norte-americano liderado por Trump, em matéria de política externa. Trump acusa ainda parte do Congresso de confortar o inimigo, uma expressão ligada na Constituição norte-americana à definição de traição, ao questionar as ações da administração Trump em relação ao Irão. O chefe de Estado norte-americano entende que a resolução obstrui a estratégia para pôr fim à guerra.

E a agência nuclear das Nações Unidas garante que haverá uma inspeção às instalações de enriquecimento nuclear iranianas.

É um dos pontos-chave do acordo provisório entre Estados Unidos e o Irão. A garantia foi deixada pelo líder da Agência Internacional de Energia Atômica, o argentino Rafael Grossi, e chega depois de declarações contraditórias de Washington e Teerão. Ontem, Donald Trump tinha dito que esta visita ia mesmo acontecer e o mesmo tinha sido negado pela República Islâmica. A agência nuclear da ONU tem sido impedida pelo Irão de visitar as instalações de enriquecimento de urânio, mas hoje o líder desta agência vem confirmar que essa visita vai mesmo acontecer.

Terminamos com uma notícia sobre o mundial, mas que tem a ver com a tensão entre Estados Unidos e o Irão. A Casa Branca decidiu aliviar as restrições impostas à seleção iraniana de futebol.

A comitiva do Irão vai passar a poder viajar para os Estados Unidos dois dias antes dos jogos, anunciou o Departamento de Segurança Interna norte-americano. A equipe continuará, no entanto, a ser obrigada a partir após o jogo de sexta-feira em Seattle. Foi o que afirmou um porta-voz do departamento. Já um porta-voz da Federação Iraniana de Futebol confirma que a equipe vai partir do campo de treino no México, onde está neste momento a fazer estágio, na quarta-feira, com destino aos Estados Unidos, precisamente dois dias antes desse jogo da última jornada da fase de grupos do Mundial. Andrew Giuliani, diretor-executivo do grupo de trabalho da Casa Branca pra a FIFA, diz à Associated Press que tudo isto já estava planeado. Em causa as queixas da delegação iraniana, a quem foram impostas restrições de viagem para os primeiros dois jogos da fase grupos em Los Angeles. A equipe só foi autorizada a entrar nos Estados Unidos na véspera da partida. Vários responsáveis da equipe e membros da equipe de apoio desta seleção do Irão foram também impedidos de viajar com a equipe, mas agora a situação vai ser diferente, é o que avança a Associated Press.

Ponto final em mais um episódio da Guerra Traduzida: Irão, hoje com o jornalista Miguel Gato.