Economistas criticam as medidas do governo na economia

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A dívida bruta do governo atinge 81,1% do PIB, o maior em cinco anos, com déficit primário de R$ 56,1 bilhões. Esse cenário fiscal pressiona a inflação, mantém juros altos e encarece o crédito, impactando investimentos e empregos. Economistas criticam medidas que elevam gastos, alertando para os riscos futuros e o peso para a sociedade. Entenda os desafios.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A divulgação das contas públicas pelo Banco Central trouxe um ingrediente que o mercado não esperava encontrar em meio ao debate sobre os próximos passos da economia: a dívida bruta do governo alcançou 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior patamar em cinco anos.

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, reforçando a percepção de que o país continua gastando mais do que arrecada. O resultado provocou críticas entre economistas e gestores, que enxergam um cenário cada vez mais desafiador justamente quando a política fiscal passa a dividir espaço com as pressões típicas de um ano eleitoral.

A preocupação vai além dos números. Para os analistas, o avanço da dívida dificulta o trabalho do Banco Central no controle da inflação e reduz o espaço para uma queda dos juros.

A avaliação é de que novas medidas de estímulo ao consumo e de ampliação de benefícios acabam alimentando a demanda em uma economia que já opera com sinais de aquecimento, exatamente um dos pontos destacados pelo Copom em sua comunicação mais recente.

Com isso, os juros futuros seguem elevados, encarecendo o crédito e aumentando o custo de financiamento das empresas. O efeito é direto sobre investimentos, expansão dos negócios e geração de empregos.

Na bolsa, o mercado já privilegia companhias menos endividadas, enquanto empresas mais alavancadas sofrem para preservar margens e rentabilidade.

Os especialistas também chamam atenção para o volume de propostas que ainda podem pressionar as contas públicas nos próximos meses.

Entre elas estão a votação no Senado da medida provisória que altera a aposentadoria dos agentes comunitários de saúde, a discussão na Câmara sobre o aumento do teto de faturamento para empresas do Simples Nacional, a proposta de ampliação do limite do MEI e o novo Plano Safra, anunciado nesta terça-feira.

Cada iniciativa tem objetivos específicos e atende diferentes setores da economia, mas, somadas, ampliam as dúvidas sobre a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais. Nesse ambiente também entrou o Desenrola Adimplentes.

Embora o Ministério da Fazenda sustente que o programa não produz impacto imediato nas contas públicas por utilizar recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO), economistas avaliam que existe um risco fiscal indireto caso haja inadimplência elevada.

O ministro Dario Durigan classificou como “forçação de barra” associar o programa ao aumento da dívida, mas a leitura predominante entre agentes financeiros é que qualquer medida que incentive crédito ou amplie subsídios acaba sendo incorporada ao cálculo de risco fiscal.

O professor do Insper, Ricardo Rocha, em entrevista à Veruska Donato no programa Mercado, faz críticas duras ao conjunto dessas iniciativas. Para ele, o Desenrola Adimplentes representa uma “deseducação financeira” e tem caráter “populista e eleitoreiro”.

Rocha tem dúvida se a medida vai funcionar, “o governo tá estimulando o consumo pra quem está com as contas em dia, o ideal é estimular a guardar dinheiro, esse desenrola é algo assim estarrecedor na minha visão”. 

O economista afirma que estimular crédito para quem já está adimplente tende a aumentar o consumo e, consequentemente, pressionar a inflação. Rocha também alerta para o risco de o Brasil voltar a conviver com um processo de inflação persistente caso o ritmo de expansão dos gastos continue superior à capacidade de geração de receitas, “A gente corre um sério risco de voltar não pra inflação do Sarney, de 85% ao mês, mas por um processo inflacionário crônico”, diz. 

Na mesma direção, Vitor Borges, da Manchester Investimentos, afirma que o país vive um momento de crescente preocupação fiscal. Segundo ele, as empresas que não mantiverem disciplina financeira poderão ser surpreendidas quando o cenário econômico perder força.

“O investidor tem que estar muito ciente do que vai acontecer daqui para frente. Ainda mais se a gente continuar nessa trajetória que nós temos hoje com o nosso governo. Nós temos que olhar para empresas hoje, que são empresas que tem um controle financeiro, controle de dívida e que consigam fazer isso, enfim, sem meter os pés pelas mãos”, alerta. 

O especialista avalia que o governo já opera próximo do limite de arrecadação e, ao anunciar novas políticas de estímulo e subsídios, aumenta a percepção de descontrole das despesas. Vitor elogia o projeto de lei que aumenta o teto de faturamento para o micro empreendedor individual de R$ 81 mil por ano para R$ 120 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, e ainda a proposta da oposição de ampliar o Simples Nacional para chegar a mais empresas.

O problema, segundo ele é o momento em que isto está sendo efeito e como. “Você reduzir impostos de quem produz valor, produz riqueza na economia é o melhor dos mundos, você gera mais empregos, consumo, e atividade econômica. O problema é a que custo? Qual é o subsídio?”, argumenta.