Desastre no Nepal causa mais de 150 mortes e 3 na China, com meteorologista detalhando causas naturais e climáticas

Compartilhar matériaO meteorologista da CNN, Derek Van Dam, apresentou uma análise detalhada sobre o recente desastre no Nepal, detalhando como múltiplos fatores naturais e climáticos se alinharam para gerar uma inundação devastadora. Pelo menos 157 pessoas morreram. Outras três mortes foram confirmadas na China.

Analisando imagens do Google Earth, Van Dam destacou a extrema declividade da região atingida, pontuando que algumas montanhas ultrapassam os 7.000 pés de altitude e abrigam rochas muito frágeis e gelo em seus picos.

O especialsita alertou que o derretimento dessas geleiras acelerou drasticamente devido ao aquecimento global: "Quando falamos sobre a perda de gelo causada pelas mudanças climáticas nesta parte do mundo, ela praticamente dobrou". Essa realidade alarmante coloca cerca de 2 milhões de pessoas em risco devido a inundações por rompimento de lagos glaciais. "Isso já aconteceu antes, e é provavelmente o que estamos testemunhando aqui", afirmou o meteorologista.

O transbordamento do rio local foi alimentado pelo acúmulo contínuo de água decorrente do derretimento das geleiras ao longo do tempo. Embora a região esteja enfrentando fortes chuvas devido à temporada de monções, Van Dam chamou a atenção para um problema de escala continental: "esta parte do mundo — a Ásia como um todo — está se aquecendo a uma velocidade duas vezes maior que a média global, à medida que o planeta continua aquecendo".

A força das águas foi registrada em vídeos que mostram usinas hidrelétricas sendo completamente tomadas pela torrente violenta, canalizada por desfiladeiros estreitos.

A tragédia se agravou quando a torrente atingiu áreas residenciais vulneráveis situadas ao longo das margens do rio no Nepal. Van Dam explicou que o desastre provavelmente decorreu de uma sequência de perigos: um terremoto de magnitude 4,4 desestabilizou o gelo e as rochas em picos de alta altitude.

Embora o tremor não tenha sido de grande magnitude, foi o suficiente para provocar um deslizamento de rochas e gelo que bloqueou o fluxo do rio nas profundezas das montanhas.

Com o rio obstruído, a água começou a acumular-se rapidamente atrás do bloqueio. Eventualmente, a pressão fez com que o rio rompesse as margens, liberando uma enorme quantidade de água de uma só vez encosta abaixo.

O meteorologista pontuou que, embora as imagens de satélite mostrem que não houve volumes extremos de chuva nas últimas 72 horas, a região continua vulnerável por conta das tempestades e pancadas constantes da temporada de monções.