Mudança representa a primeira grande reorganização dos segmentos de divulgação da Microsoft desde 2015 O post Microsoft finalmente vai revelar quanto a Azure movimenta por trimestre apareceu primeiro em Olhar Digital.

A Microsoft vai mudar sua estrutura de divulgação financeira para refletir as transformações provocadas pela inteligência artificial (IA) em seus negócios. A empresa reduzirá de três para dois os segmentos reportáveis, que passarão a se chamar Agents and Infra e Devices and Consumer.

A mudança representa a primeira grande reorganização dos segmentos de divulgação da Microsoft desde 2015 e também traz novidade importante para investidores: a companhia passará a divulgar trimestralmente a receita do Azure, em vez de informar apenas a taxa de crescimento da plataforma.

A alteração ocorre em momento em que a computação em nuvem e a infraestrutura para IA ganharam peso nos negócios da Microsoft. A divulgação de uma cifra específica para o Azure permitirá comparação mais direta com as receitas das principais concorrentes da empresa no mercado de nuvem.

Até agora, a Microsoft apresentava seus resultados em três segmentos: Productivity and Business Processes, Intelligent Cloud e More Personal Computing.

Segundo Satya Nadella, presidente do conselho e CEO da Microsoft, a IA representa uma “mudança profunda” na tecnologia e nos negócios. “Ela está mudando o que construímos e como operamos, além de estar apagando as fronteiras entre nossos produtos e remodelando nossos modelos de negócios”, afirmou o executivo.

Uma das principais mudanças para investidores será a divulgação da receita do Azure em valores absolutos a cada trimestre.

A Microsoft já informava a taxa de crescimento do negócio de nuvem, mas não divulgava regularmente sua receita trimestral separadamente. Com a alteração, será possível acompanhar de maneira mais direta a evolução financeira do Azure.

No trimestre mais recente, encerrado em junho, o Azure registrou receita de aproximadamente US$ 29,4 bilhões (cerca de R$ 151,8 bilhões). No ano fiscal encerrado em junho, a plataforma ultrapassou US$ 100 bilhões (cerca de R$ 516 bilhões) em receita anual.

A divulgação separada também deve facilitar a comparação do Azure com os negócios de computação em nuvem da Amazon e do Google, em mercado que vem recebendo investimentos cada vez maiores para sustentar a expansão da IA.

A mudança de metodologia também fará com que alguns negócios que anteriormente eram considerados no cálculo do Azure passem a ser contabilizados de outra maneira.

A nova estrutura coloca aplicativos, agentes de IA e infraestrutura de computação em uma mesma divisão.

O movimento acompanha a estratégia da Microsoft de integrar seus produtos de IA aos serviços corporativos e à infraestrutura de nuvem. Microsoft 365 e GitHub, por exemplo, passam a aparecer junto do Azure no segmento Agents and Infra.

Com a mudança, a Microsoft pretende oferecer aos investidores uma visão mais próxima de como seus negócios estão funcionando na prática em uma companhia cada vez mais moldada pela IA.

Para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, a Microsoft espera que o segmento Agents and Infra registre receita entre US$ 75,15 bilhões (cerca de R$ 387,8 bilhões) e US$ 75,75 bilhões (cerca de R$ 390,9 bilhões).

Já o segmento Devices and Consumer deve apresentar receita entre US$ 14,7 bilhões (cerca de R$ 75,9 bilhões) e US$ 15,2 bilhões (cerca de R$ 78,4 bilhões).

A empresa também informou que atualizará outras métricas financeiras em razão da mudança na estrutura de divulgação. A Microsoft deverá apresentar os resultados históricos recalculados de acordo com o novo formato para facilitar a comparação entre os períodos.

A reorganização, portanto, não representa apenas uma mudança na forma como a companhia apresenta seus resultados. Ela também evidencia como a IA passou a atravessar diferentes áreas do negócio da Microsoft, conectando software corporativo, agentes, computação em nuvem e infraestrutura em uma mesma estratégia.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.