Alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de crime contra o sistema financeiro, o banco Digimais foi autuado pela fiscalização do Ministério do Trabalho por múltiplas violações a direitos trabalhistas dos seus funcionários. Leia mais (06/26/2026 - 23h00)

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26.jun.2026 às 23h00

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Adriana Fernandes Luany Galdeano

Alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de crime contra o sistema financeiro, o banco Digimais foi autuado pela fiscalização do Ministério do Trabalho por múltiplas violações a direitos trabalhistas dos seus funcionários.

Os fiscais identificaram infrações relacionadas a jornadas de trabalho excessivas, sonegação salarial e descumprimento de regras de descanso semanal, de acordo com relatório técnico de inspeção do trabalho, obtido pela Folha, realizado pela Superintendência Regional do Trabalho no Estado de São Paulo entre 2019 e 2025.

A fiscalização encontrou mais de 13 mil infrações por excesso de jornada. Um dos casos mais graves foi de um empregado que trabalhou por 15 domingos consecutivos. Funcionários do Digimais, segundo os achados do Ministério do Trabalho, faziam mais horas extras do que o permitido por lei e não usufruíam de tempo mínimo de descanso. Pelos cálculos dos fiscais, o banco deixou de pagar R$ 2 milhões aos seus funcionários em horas extras que eram contabilizadas mas não chegavam a ser pagas.

Para Livia Ferreira, auditora fiscal do trabalho que coordenou a fiscalização, o caso da Digimais chama atenção porque as irregularidades eram registradas no sistema interno de banco de horas da empresa.

"Não é comum encontrar esse tipo de situação não só em banco, mas em qualquer empresa. Parece que a empresa tinha certeza de que não ia dar problema, ainda que tivesse tudo registrado errado", disse.

O Digimais é controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da RecordTV. A Justiça Federal em São Paulo autorizou o bloqueio de bens de até R$ 670 milhões e a quebra de sigilo bancário e fiscal dos alvos da operação Miragem da PF.

Em nota, o banco Digimais afirma que os fatos se referem a uma fiscalização do Ministério do Trabalho realizada no início de 2025, quando passava por transição de controle societário. As inconformidades sobre jornada de trabalho eram pontuais e, em fiscalização recente, o Ministério do Trabalho constatou cumprimento das normas, segundo a empresa.

De abril de 2025 a abril de 2026, o Ministério do Trabalho emitiu 18 autos de infração contra o banco de Edir Macedo como resultado da fiscalização. Os processos estão na etapa de defesa e, se o Digimais for considerado culpado, podem acarretar o pagamento de multas pela instituição financeira.

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Os auditores processaram 676 mil registros de jornada na fiscalização, além de 135 mil jornadas individuais de trabalho para fazer as autuações.

"A empresa adotou, no período fiscalizado, um modelo de gestão do trabalho incompatível com os parâmetros legais, caracterizado pela extrapolação sistemática da jornada, pela compressão dos períodos de descanso e pela insuficiência de mecanismos internos de controle e proteção ao trabalhador", afirma relatório sobre o caso, ao qual a Folha teve acesso.

Hoje, a empresa conta com cerca de 200 funcionários, mas o número de impactados pode chegar a quase 500, por incluir empregados atuais e antigos.

O Ministério Público do Trabalho também está com um procedimento preparatório ativo sobre o Digimais, ainda sob sigilo, aberto após os autos de infração do Ministério do Trabalho. No procedimento, o MPT vai delimitar o objeto da investigação. Se o procurador entender que o caso deve ir adiante, ele pode converter o procedimento em inquérito civil.