O líder do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, rejeitou hoje apoiar a moção de censura anunciada pelo Chega, considerando que a iniciativa serve um ...
"Esta moção de censura serve basicamente para um campeonato de radicalização entre os partidos da direita", afirmou José Manuel Pureza à margem de uma concentração do movimento "Deslarguem a Arrábida!", em Setúbal.
Para o líder bloquista, porém, a iniciativa anunciada pelo Chega não incide sobre essas matérias.
"O Governo merece censura na habitação, na educação e na saúde. Mas esta moção de censura não tem nada a ver com isso", sustentou.
"É uma coisa entre eles e para esse peditório o Bloco não dá", acrescentou.
Questionado se, da parte do BE, não haveria unanimidade em torno da iniciativa, Pureza respondeu: "Não, não haverá de todo porque é uma disputa entre partidos da direita. Nós não damos para esse campeonato", reforçou.
Na sexta-feira, o presidente do Chega, André Ventura, admitiu que o partido avançará na terça-feira, 01 de setembro, com uma moção de censura ao Governo caso o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não resolva, entretanto, a situação do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Ventura considerou que a permanência de Luís Neves no Governo atingiu um nível "grotesco" e "inaceitável" e está a comprometer a credibilidade das instituições.
Questionado sobre a situação do ministro, Pureza considerou que esta é "cada vez mais insustentável", mas voltou a separar essa questão da iniciativa do Chega.
"Bom, a posição do Ministro da Administração Interna é cada vez mais insustentável, isso é absolutamente verdade, mas esta moção de censura é uma moção de censura que utiliza a gritaria sobre esse assunto como podia utilizar outra coisa qualquer", afirmou.
Instado a esclarecer se o BE defende que Luís Neves deve ser demitido ou demitir-se, José Manuel Pureza não respondeu diretamente: "Eu estou muito concentrado nas questões da educação, da saúde, nas questões da privatização das praias e não quero nenhuma distração relativamente a isso", disse.
Na sexta-feira, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, também se escusou a comentar o anúncio do Chega, afirmando que a prioridade socialista é "apresentar propostas para servir as portuguesas e os portugueses".
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