Fundadora da ONG Igualdade, ativista ajudou a abrir caminho para a retificação de nome de pessoas trans. Velório ocorre neste domingo (5/7)
A ativista Marcelly Malta Lisboa, uma das principais referências da luta pelos direitos da população LGBTQIA+ no Rio Grande do Sul e no Brasil, morreu nesse sábado (4/7) aos 75 anos. A morte foi confirmada pela ONG Igualdade – Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, entidade fundada por ela no fim da década de 1990.
Nascida em março de 1951, em Mato Leitão, no Vale do Rio Pardo (RS), Marcelly dedicou boa parte da vida à defesa dos direitos humanos, da saúde e da cidadania da população trans. Ao longo de sua história, também participou da formulação de políticas públicas voltadas ao combate à violência e à promoção da inclusão.
Marcelly Malta Lisboa
Formada como auxiliar de enfermagem, Marcelly ingressou no serviço público em 1979
Marcelly foi fundadora da ONG Igualdade, no Rio Grande do Sul
Em nota, a ONG Igualdade destacou o legado da ativista.
“Marcelly foi uma mulher travesti de coragem, força e dignidade. Uma guerreira incansável na luta pelos direitos da população trans e travesti do Brasil, que deixou sua marca por meio da resistência, do acolhimento e da defesa de uma sociedade mais justa e igualitária”, diz um trecho da nota.
A ativista tinha comorbidades e havia sido hospitalizada nos últimos dias. Ela morreu em casa, em Porto Alegre. O velório ocorre neste domingo (5/7), das 7h às 12h, na Casa dos Conselhos, na capital gaúcha.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Marco histórico para pessoas trans Em 2011, quando presidia o Conselho Municipal de Direitos Humanos de Porto Alegre, Marcelly conquistou na Justiça o direito de retificar seu nome no registro civil.
A decisão se tornou um marco importante para a população trans e abriu portas para que outras pessoas buscassem o mesmo reconhecimento legal.
Anos depois, em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou esse avanço ao reconhecer o direito de pessoas trans alterarem nome e gênero diretamente no registro civil, sem a necessidade de cirurgia de redesignação sexual ou decisão judicial.
Durante a ditadura militar, Marcelly também enfrentou prisões, episódios de discriminação e diferentes formas de violência.
Frequência de envio: Diário


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário