Com streaming e digitalização, pressão por produtividade aumentou

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Há dois domingos, um técnico de elétrica morreu enquanto trabalhava no set de filmagem de "Delegacia de Homicídios", série do Disney+ com produção daAfroReggae e da Formata, depois de cair do segundo andar de um prédio usado nas gravações, no Rio de Janeiro.

Luiz Fernando Martins tinha 55 anos de idade e duas décadas de experiência. Sua morte acendeu o alerta para uma suposta precarização e falta de segurança em sets de filmagem no país.

Procurada, a produção diz, em nota, que "logo após o acidente, os protocolos de emergência e primeiros socorros foram prontamente acionados". Diz ainda que o profissional recebeu atendimento e foi encaminhado ao hospital. A reportagem perguntou se havia no set ambulância, profissionais da área da saúde ou bombeiros, como é norma em ambientes com grande aglomeração de pessoas, mas não obteve resposta.

Também foram procurados representantes da Disney no Brasil e da Strima, associação que representa os serviços de streaming agora em atuação no país, mas nenhum deles quis se manifestar.

O Sindcine, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual, diz que "houve falhas graves no planejamento e na segurança" daquele set. A organização afirma que o técnico foi designado para realizar um trabalho em altura sem equipamento de proteção individual, sem plataformas elevatórias adequadas e sem pontos de ancoragem seguros. Destaca ainda a ausência de suporte de emergência, como brigadistas e ambulâncias.

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A presidente do sindicato vai além. "O que presenciamos foi uma sucessão de erros previsíveis, decorrentes da aceleração desenfreada dos projetos e da redução drástica dos tempos de pré-produção e filmagem", diz Sônia Santana. "A pressão sobre as equipes técnicas têm atingido níveis insustentáveis e é agravada por orçamentos reduzidos que impõem cargas de trabalho excessivas, frequentemente executadas em infraestruturas inadequadas", acrescenta.

A deputada Dani Balbi, do PCdoB, acionou o Ministério Público do Trabalho, que apura as circunstâncias da morte e as condições de segurança. O MPT deu um mês para que as produtoras responsáveis apresentem provas de quais medidas corretivas tomaram, se havia equipamento de proteção individual, certificados de treinamento e análise prévia de risco.

Ainda são poucas as informações públicas sobre as circunstâncias do acidente, portanto, não é possível afirmar se houve falhas nos protocolos ou eventual negligência, afirma Bruno Casalotti, que pesquisa o mercado de trabalho do audiovisual na Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas.

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"Qualquer conclusão nesse sentido seria precipitada. Ainda assim, casos como esse inevitavelmente reacendem o debate sobre as condições de trabalho no setor audiovisual brasileiro", diz.

De acordo com Casalotti, dois problemas recorrentes nos sets merecem atenção especial por seu potencial de aumentar os riscos de acidentes —o acúmulo de funções e as jornadas excessivas.