Para o padre Robson André Gavioli de Mattos, o conceito de lar não estava mais conectado às coordenadas geográficas de sua infância no interior paulista, em São José do Rio Preto. Leia mais (06/25/2026 - 18h00)
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25.jun.2026 às 18h00
Para o padre Robson André Gavioli de Mattos, o conceito de lar não estava mais conectado às coordenadas geográficas de sua infância no interior paulista, em São José do Rio Preto.
O religioso se mudou para Ucrânia, no leste europeu, em 2012, para ser missionário. Após iniciar seus estudos em 2011 no Seminário Missionário Redemptoris Mater, em Brasília, ele aceitou ser enviado para estudar filosofia e teologia na Diocese de Vinítsia, cidade a 360 km da capital Kiev.
Quando o conflito estourou na Ucrânia em 2022 e as rotas de fuga se abriram para os estrangeiros, ele escolheu ficar. Àqueles que tentavam convencê-lo a retornar ao Brasil ele respondia com a serenidade de quem encontrou seu destino: "Eu já estou em casa".
Essa escolha não foi apenas geográfica, mas espiritual. Ele acreditava firmemente que a Ucrânia era o lugar para o qual Deus o havia enviado para servir junto à população, mesmo diante dos riscos extremos da guerra.
Foi entre os bombardeios e a acolhida aos refugiados que sua missão em Khmelnytsky ganhou contornos de entrega absoluta até sua morte, aos 36 anos, no último dia 6 de junho.
Ali, ele não apenas realizava serviços religiosos, mas atuava na linha de frente da ajuda humanitária, oferecendo alimentação e abrigo temporário para refugiados que perdiam tudo nos bombardeios. Segundo amigos, ele era profundamente comprometido com a missão, especialmente com as crianças, mantendo sempre um espírito alegre e próximo das pessoas.
A trajetória de Robson foi marcada por um horizonte que sempre se expandia. Natural de Urânia, ele cresceu em São José do Rio Preto, onde os primeiros passos de sua vocação foram dados no Santuário das Almas. Um acidente que o levaria à mesa de cirurgia aconteceu em decorrência de seu trabalho pastoral. Em fevereiro, ele levou os jovens de sua comunidade para as montanhas, tentando oferecer-lhes um raro instante de silêncio, longe das sirenes e bombardeios.
Ele machucou o joelho após sofrer uma queda na caminhada. Para seguir o tratamento cirúrgico, ele aguardou meses na fila de espera em um sistema de saúde sobrecarregado pela guerra. No dia da cirurgia, entrou no hospital em Kiev, na última semana, contente e sem reclamações, segundo pessoas que o acompanharam. Seus momentos finais foram o espelho de sua vida sacerdotal. Após a cirurgia, complicações levaram a uma tromboembolia e parada cardiorrespiratória. Antes do adeus definitivo, Robson comungou, rezou o terço e falou com seu pai Osnir por videochamada.
Como descreveu o bispo ucraniano dom Eduard Kava, Robson cativou corações e o impediu de ter medo de servir, mesmo quando a partida parecia a opção mais lógica. O corpo do missionário cruzou o oceano de volta às suas raízes, em um translado acompanhado pelo amigo de seminário padre Lucas Perozzi.
Após ser velado no Santuário das Almas, em Rio Preto, Robson foi enterrado em Urânia, onde sua história começou.
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