"Uma pessoa não pode dizer que Messi é o melhor de todos os tempos sem saber o que Pelé fez nem o contexto em que ele fez". Leia mais (06/23/2026 - 12h01)
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23.jun.2026 às 12h01
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"Uma pessoa não pode dizer que Messi é o melhor de todos os tempos sem saber o que Pelé fez nem o contexto em que ele fez".
Às portas do jogo da seleção contra a Escócia, quem tenta pôr as coisas no lugar, num momento em que o argentino está na crista da onda, é um escocês, o jornalista Andrew Downie, autor de uma alentada biografia sobre o Rei do Futebol a ser lançada em novembro.
Num primeiro momento, "Epic - The Many Lives of Pelé" (Épico - As muitas vidas de Pelé), sairá apenas em inglês, pela Penguin. O autor diz que negocia com editoras brasileiras.
Para Downie, até 2022 parecia incontestável que Pelé —morto em 2022 aos 82 anos— foi o maior jogador de futebol da história.
Após liderar a Argentina na conquista da Copa do Qatar, o argentino começou a tornar o veredito mais difícil, ainda mais após seus feitos no Mundial-2026. Com cinco gols em dois jogos, passou a ser o maior goleador da história das Copas –é também o artilheiro isolado desta edição.
O autor diz que não pretende alimentar um fla-flu em torno da questão e conta que evitou afirmar na biografia que Pelé é o maior de todos os tempos, mas comenta que, se a controvérsia fosse um julgamento, seu livro poderia ser a tese de defesa do brasileiro.
Downie usa uma metáfora para a tarefa de apresentar o Rei não só aos súditos de sempre, mas sobretudo às novas gerações. "Falar da importância de Pelé para o futebol nos dias de hoje é como explicar para um garoto que só ouve Spotify a importância do gramofone".
Ao ressaltar a relevância do contexto histórico, dá exemplos prosaicos. "Pelé ia a alguns jogos no interior de São Paulo dividindo um carro ou táxi com colegas do Santos. Messi viajou a várias partidas em seu jatinho particular."
Downie diz que tende a achar Pelé o maior, por vários motivos: cabeceava bem (Messi não); era mais mortal com as duas pernas (o canhoto Messi também chuta com a direita); desarmava e auxiliava na marcação (o argentino não muito); ganhou três Copas (Messi por enquanto só uma).
Há ainda o capítulo do número de gols. Downie considera "ridícula" a "invenção recente" de contabilizar apenas os gols de Pelé em jogos oficiais, o que faz com que tanto Messi quanto Cristiano Ronaldo o ultrapassem na lista dos maiores artilheiros da história –o que não ocorre quando se consideram também amistosos, e aí Pelé soma 1.283, mais que os dois.
Ele lembra que o brasileiro fez dezenas de gols em amistosos contra equipes europeias fortíssimas da época, como Inter de Milão, Benfica, Napoli, Roma, Barcelona, Real Madrid e Milan, entre outras.
E, para ilustrar a força dos adversários locais de Pelé, informa que mais times ganharam o Campeonato Paulista quando Pelé jogava pelo Santos do que outros clubes além do Barcelona venceram o Espanhol no período de Messi no clube catalão.
"Isso acaba com o mito de que precisava estar na Europa para jogar um torneio competitivo. O Brasil para o futebol nos anos 1960 e 1970 correspondia ao que o Reino Unido era para a música na mesma época ou o que a Califórnia representou para os computadores nos anos 1980/1990", compara.


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