Comer por ansiedade é um dos sintomas da fome emocional - Canva Durante décadas, emagrecer foi tratado apenas como uma questão de disciplina. Hoje, a ciência mostra que o cérebro exerce um papel decisivo na sensação de fome, na saciedade e no controle do peso, abrindo novos caminhos para o tratamento da obesidade

Durante muito tempo, acreditou-se que a fome era apenas um aviso simples do organismo, como o ponteiro de um tanque indicando que era hora de abastecer. A ciência, porém, descobriu que esse processo é muito mais sofisticado. O cérebro funciona como uma central de comando capaz de interpretar dezenas de sinais enviados pelo corpo antes de decidir se devemos continuar comendo ou parar. É como se existisse um maestro conduzindo uma grande orquestra. De um lado, hormônios produzidos pelo intestino, pelo estômago e pelo tecido adiposo enviam mensagens. Do outro, emoções, memórias, hábitos, qualidade do sono, estresse e até fatores genéticos também entram na composição dessa sinfonia. Quando esses instrumentos deixam de tocar em harmonia, a sensação de fome pode permanecer mesmo quando o organismo já recebeu energia suficiente. Foi justamente essa descoberta que transformou a maneira como a medicina passou a enxergar a obesidade. Hoje, sabe-se que ela é uma doença crônica e multifatorial, na qual mecanismos biológicos influenciam diretamente o comportamento alimentar. Nesse contexto surgiram medicamentos capazes de atuar sobre os mesmos circuitos naturais utilizados pelo organismo para regular a saciedade. Eles imitam a ação de hormônios produzidos pelo intestino após as refeições e enviam ao cérebro o sinal de que o corpo já está satisfeito. Como consequência, a fome diminui, a vontade constante de beliscar tende a reduzir e o paciente consegue estabelecer uma relação mais equilibrada com a alimentação. Isso não significa, entretanto, que esses medicamentos façam o trabalho sozinhos. Eles não substituem uma alimentação saudável, a prática regular de atividade física nem o acompanhamento multiprofissional. Também não representam uma solução estética ou um recurso indicado para qualquer pessoa. Cérebro - Outro ponto importante é compreender que o cérebro não controla apenas a quantidade de comida ingerida. Ele também participa da chamada fome emocional, quando ansiedade, estresse, tristeza ou até momentos de recompensa estimulam o consumo de alimentos altamente calóricos. Nesses casos, a alimentação deixa de responder apenas às necessidades do corpo e passa a atender demandas emocionais. Por isso, o tratamento moderno da obesidade vai muito além da balança. O objetivo não é apenas reduzir o peso, mas restaurar os mecanismos que regulam o apetite, melhorar a saúde metabólica e diminuir o risco de doenças como diabetes, hipertensão, apneia do sono e problemas cardiovasculares. Embora os avanços da neurociência e da farmacologia tenham ampliado as possibilidades terapêuticas, especialistas reforçam que toda decisão deve ser individualizada. A indicação dos medicamentos depende da avaliação clínica, do índice de massa corporal, da presença de doenças associadas e do histórico de cada paciente. Cuidado - A automedicação, o uso com finalidade exclusivamente estética ou a compra de produtos sem procedência podem trazer riscos importantes à saúde. Por isso, qualquer tratamento deve ser realizado com acompanhamento médico, monitoramento regular e integração com mudanças no estilo de vida. Mais do que oferecer novas ferramentas para o controle do peso, a ciência começa a substituir antigos julgamentos por conhecimento. Entender como o cérebro regula a fome ajuda a derrubar o mito de que emagrecer depende apenas de força de vontade e mostra que cuidar da obesidade significa compreender, antes de tudo, o funcionamento do próprio organismo. Seja a sua melhor versão @rafaelcoelhomed | www.rafaelcoelhomed.com.br Acontece Grupo MaterCore comemora dois anos em novo espaço dedicado à saúde materno-infantil  Yalis Cordeiro (E), Natascha Fox e Patrícia Lima - Foto: Divulgação Marcando os dois anos de fundação, o Grupo MaterCore, das ginecologistas e obstetras Yalis Cordeiro (E), Natascha Fox e Patrícia Lima, está atendendo em novo endereço: no Espaço Mãetamorfose - clínica multidisciplinar que conecta profissionais especializados em saúde materno-infantil. Com duas unidades, uma nas Graças e outra em Boa Viagem, a Mãetamorfose conta com 38 consultórios, onde são realizadas cerca de 3 mil consultas mensais. Ao todo, mais de 130 profissionais de saúde, distribuídos em 30 especialidades, atuam no espaço que conta ainda com duas salas de eventos, possibilitando encontros e networking.  Tecnologia de ponta na saúde A healthtech MV, referência em tecnologia para a saúde, é a grande protagonista tecnológica do Hospital Nossa Senhora de Aparecida (HNSA), inaugurado nesta segunda-feira (15), em Paulista. O moderno complexo de 213 leitos já nasce 100% digital, tendo como grande "espinha dorsal" o sistema SOUL MV. Na prática, isso significa uma revolução para a saúde pública da Região Metropolitana: todo o fluxo de pacientes, da urgência à UTI, será interligado com dados em tempo real. Um avanço que garante um atendimento mais ágil, seguro e sem uso de papel.