É público que Benjamin Netanyahu fará de tudo para sabotar as negociações entre os Estados Unidos e o Irã por avaliar que um acordo entre os dois países não seria do interesse dele e de Israel. Seus aliados e até seus principais opositores concordam com ele, o que dá um forte amparo doméstico ao primeiro-ministro israelense. A forma mais simples de atingir este objetivo seria seguir atacando o Hezbollah no Líbano.

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Atrito na Suíça – Foi Israel que conseguiu provocar o atrito no início das negociações entre Teerã e Washington na Suíça, que incluem o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e o líder iraniano Mohammad Ghalibaf, integrante da junta responsável por comandar o país durante a guerra. Este era justamente o objetivo de Netanyahu, que conseguiu fazer Donald Trump ameaçar o Irã e o próprio Ghalibaf ameaçar os EUA.

Literal – O regime de Teerã pretende levar ao pé da letra o acordo com os EUA e não parece disposto a fazer concessões no Líbano. Estaria reticente até em tolerar as “regras do jogo”, debatidas em Beirute e que escrevi aqui na semana passada, que preveem um conflito de baixa intensidade restrito ao sul do Líbano. O Irã quer um cessar-fogo completo e a retirada israelense da região.

Janela de oportunidade – Um dos motivos seria o interesse do Irã em aproveitar este momento de empoderamento para tentar resolver todas as suas disputas regionais e se impor geopoliticamente. Difícil aparecer outra janela de oportunidade como a atual, na qual tanto Trump quanto Vance condenaram publicamente Netanyahu e integrantes de seu governo na semana passada.

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Oposto – Se por um lado Netanyahu quer sabotar as negociações, o regime de Teerã pretende fazer justamente o inverso: enfraquecer as relações entre os norte-americanos e os israelenses. Na visão iraniana, sem a aliança entre EUA e Israel, Teerã terá ainda mais condições de ampliar sua força regional. Uma das maiores barreiras impostas aos iranianos é justamente o apoio de Washington aos israelenses.

Como em Gaza – Netanyahu e Israel, depois do conflito de 2024 contra o Hezbollah, saíram da maior parte do Líbano, permanecendo apenas em cinco pontos do território. Ao mesmo tempo, mantiveram ataques contra o grupo, violando o cessar-fogo milhares de vezes. Desta vez, no entanto, depois de serem alvejados pelo Hezbollah no início da guerra contra o Irã, mudaram de estratégia. Passaram a adotar o modelo usado em Gaza.

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Ocupação – Esta estratégia visa destruir os vilarejos perto da fronteira, criando uma faixa de ocupação chamada de “zona tampão”. Portanto, não há intenção israelense de voltar ao status quo anterior. Analistas avaliam que o Irã talvez tolerasse momentaneamente este cenário por causa dos enormes ganhos no memorando com os EUA, com a entrada de dinheiro para que o regime se reconstrua.

Hezbollah – Claramente o Irã não quer abandonar o Hezbollah depois de o grupo ter sido solidário ao entrar na guerra contra os EUA e Israel. Este seria um dos motivos. Mas o mais importante seria tentar romper o elo entre norte-americanos e israelenses. Vamos ver quem sairá vitorioso nesta batalha. Ao que tudo indica, até agora, Trump parece disposto a pagar o custo para ter um acordo com Teerã e encerrar a guerra. Afinal, o conflito é impopular nos EUA e tem provocado enorme repercussão econômica negativa.