Enquanto a maioria dos craques da Copa do Mundo de 2026 aderiu às chamativas chuteiras cor-de-rosa, Neymar decidiu seguir um caminho diferente. O camisa 10 da seleção brasileira apareceu no treinamento desta segunda-feira com um modelo exclusivo desenvolvido …

Enquanto a maioria dos craques da Copa do Mundo de 2026 aderiu às chamativas chuteiras cor-de-rosa, Neymar decidiu seguir um caminho diferente. O camisa 10 da seleção brasileira apareceu no treinamento desta segunda-feira com um modelo exclusivo desenvolvido pela Puma, em tons de amarelo com detalhes em laranja, fugindo da principal tendência estética do Mundial.

Foi o segundo treino consecutivo em que Neymar utilizou o novo calçado, durante a preparação da seleção brasileira para o confronto contra a Escócia, pela última rodada da fase de grupos. A expectativa é de que o atacante seja relacionado para a partida após se recuperar de uma lesão na panturrilha direita.

A escolha coloca Neymar em um grupo seleto de jogadores que receberam de suas fornecedoras modelos personalizados diferentes do padrão adotado pelas principais marcas esportivas na competição. Antes de apresentar a nova chuteira, o brasileiro chegou a utilizar um modelo rosa durante os trabalhos de recondicionamento físico.

Não é a primeira vez que Neymar recebe tratamento especial da Puma em uma Copa do Mundo. Em 2022, o atacante utilizou um modelo durante a fase de grupos e ganhou uma nova versão exclusiva para o mata-mata. Em 2026, a fabricante alemã também desenvolveu uma chuteira especial para Christian Pulisic, principal estrela da seleção dos Estados Unidos.

Outro jogador que foge da febre rosa é Lionel Messi. O capitão da Argentina utiliza um modelo personalizado da Adidas nas cores branca e azul, inspirado na seleção campeã mundial.

A invasão das chuteiras rosas

Uma das marcas registradas da Copa do Mundo de 2026 tem sido justamente a presença massiva de chuteiras rosa-choque. Nike, Adidas, Puma e New Balance apostaram praticamente na mesma tonalidade para seus principais lançamentos.

A estratégia tem uma explicação comercial. Cores vibrantes atraem a atenção dos torcedores tanto nos estádios quanto nas transmissões de televisão. Como a chuteira é um dos poucos itens de equipamento que os atletas podem escolher livremente, ela se transformou em uma poderosa ferramenta de marketing para as marcas.

Executivos do setor afirmam que a coincidência entre as fabricantes não foi planejada. Um representante da Puma afirmou ao portal Sport Insider que o resultado foi casual e que os modelos poderiam ter sido lançados em diversas outras cores. Declarações semelhantes foram dadas por dirigentes de outras empresas.

Segundo Odinga Nimako, integrante da equipe global de calçados da Nike, os próprios jogadores demonstraram preferência por tons chamativos. De acordo com ele, muitos atletas associam cores vibrantes à confiança dentro de campo.

A New Balance segue a mesma linha. Rob Sheldon, chefe de produto da divisão de futebol da empresa, afirmou que o rosa transmite energia, visibilidade e autoconfiança, além de acompanhar tendências globais de design.

De símbolo polêmico a padrão no futebol

A popularização do rosa também reflete uma mudança cultural no esporte. Durante muitos anos, a cor foi vista com resistência no futebol masculino por sua associação ao universo feminino.

Em 2008, a Nike chamou atenção ao lançar uma chuteira rosa utilizada pelo atacante dinamarquês Nicklas Bendtner. A repercussão foi intensa na imprensa britânica. Em 2014, o italiano Mario Balotelli voltou a provocar debates ao entrar em campo usando chuteiras de cores diferentes, incluindo uma versão rosa da coleção Puma Tricks.

Quase duas décadas depois, o cenário mudou completamente. O rosa deixou de ser uma escolha ousada para se tornar a cor dominante da Copa do Mundo. Hoje, aparece não apenas nos pés de atacantes, mas também de goleiros, zagueiros e até nos uniformes dos árbitros. O que antes causava estranhamento passou a representar modernidade e estilo dentro do futebol.