Um casal de mergulhadores realizou um registro panorâmico inédito da Corveta V-17. Saiba detalhes do projeto.
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Introdução A Corveta Ipiranga V-17, naufragada em Fernando de Noronha, é um espetáculo subaquático desafiador. Mergulhadores Fabi Fregonesi e Raphael Gatti romperam barreiras ao criar a primeira imagem panorâmica do navio e de outros 15 pontos, revelando a grandiosidade marinha para incentivar sua conservação. Uma técnica rara para uma visão inédita!
Principais Tópicos
Corveta Ipiranga V-17: Navio naufragado em Noronha, famoso ponto de mergulho a 62m de profundidade. Desafio da Fotografia Subaquática: Dificuldade em capturar a totalidade de grandes estruturas submersas com nitidez. Pioneirismo no Brasil: Casal Fabi Fregonesi e Raphael Gatti desenvolve técnica de fotografia panorâmica subaquática. Projeto "Panorâmicas de Noronha": Primeira imagem panorâmica da Corveta e de 15 outros pontos do arquipélago. Objetivo de Conservação: As panorâmicas visam mostrar o ecossistema completo para conscientização sobre proteção marinha.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A ilha de Fernando de Noronha é um paraíso para mergulhadores. O mar quentinho, na casa dos 26 °C, esconde uma série de belezas, desde animais marinhos, como tartarugas e golfinhos, até gigantescas formações rochosas naturais. Um dos pontos de mergulho mais famosos, porém, foi criado por nós, humanos: o navio de guerra Corveta Ipiranga V-17, que naufragou em 1983.
Na ocasião, a embarcação da Marinha brasileira fazia uma viagem de patrulhamento na costa quando bateu no Cabeço da Sapata, uma montanha submersa que chega perto da superfície e ainda não havia sido registrada nos mapas da época. A Corveta permanece no oceano até hoje.
Com cerca de 56 metros de comprimento, a embarcação rende uma vista impressionante. O problema é sua localização: ela repousa a 62 metros de profundidade, o que faz com que o mergulho seja viável apenas para mergulhadores experientes dispostos a uma expedição mais radical.
Por isso, a beleza da Corveta fica restrita a poucos. As fotografias tampouco fazem jus à embarcação. Debaixo d’água, não é possível fotografar de muito longe para enquadrar o navio inteiro. E, quanto maior a distância entre a câmera e o objeto fotografado, mais água existe entre eles. Consequentemente, menos nítida é a imagem.
A maioria dos registros da famosa Corveta mostra apenas detalhes específicos: a proa, a hélice, o canhão e outros pontos da embarcação. Nunca o navio inteiro. As imagens não conseguiam transmitir ao público que nunca esteve ali a real grandiosidade do naufrágio – até agora.
Foi pensando nesse dilema que o casal de mergulhadores Fabi Fregonesi e Raphael Gatti, especialistas em fotografia subaquática, decidiu aprender a técnica da fotografia panorâmica. Com ela, produziram a primeira imagem panorâmica da Corveta, revelando em uma mesma imagem toda a embarcação.
O método consiste em registrar diversas fotografias de perto, capturando os detalhes com precisão, para depois uni-las em uma única imagem gigantesca, impossível de ser feita em um único clique distante. É o mesmo princípio das fotos panorâmicas dos celulares, em que é preciso mover lentamente a câmera pelo ambiente.
A diferença é que, no celular, o resultado não é nada profissional e geralmente rende imagens bem tortas.
No ambiente subaquático, a panorâmica permite finalmente obter uma visão ampla sem perder nitidez nem textura. O problema? A técnica exige um domínio enorme, e pouquíssimas pessoas no Brasil trabalham com esse tipo de fotografia.
“A técnica panorâmica já existe na fotografia de natureza, mas, na fotografia subaquática, ela é muito pouco ou quase nunca utilizada. Geralmente são fotógrafos internacionais; nunca vimos ninguém no Brasil falando sobre isso”, explica Fabi.
“Pesquisamos para encontrar brasileiros e descobrimos o Márcio Cabral, mas o foco dele é criar uma experiência de imersão, como se você navegasse dentro da foto usando um óculos de realidade virtual. É diferente do que estávamos propondo”, completa Raphael.
A jornada do casal até as panorâmicas
Antes mesmo de se conhecerem, Fabi e Raphael já mergulhavam. Eles começaram a fotografar sem experiência prévia na área, mas motivados em mostrar à família e aos amigos o que viam debaixo d’água. Conheceram-se justamente trocando experiências sobre fotografia e, juntos, foram aprendendo aos poucos como melhorar suas imagens e torná-las mais profissionais, conciliando tudo isso com a rotina de trabalho CLT.
Um fato curioso é que Fabi tinha medo de peixes desde os 13 anos de idade, devido a uma experiência traumática durante um mergulho. Muitos anos depois, decidiu realizar um mergulho em mar aberto, veja só, em Fernando de Noronha. Ela sofreu uma crise de pânico e só concluiu a atividade com a ajuda de instrutores. Ironicamente, a experiência acabou transformando seu medo em paixão.
Entre livros e videoaulas, o casal conheceu a fotografia panorâmica numa aula de um fotógrafo estrangeiro que registrava cavernas. Isso deu um “clique” nos dois, rs.
“Às vezes olhávamos para uma foto e pensávamos: ‘Nossa, ela não mostra aquela imensidão que a gente vê lá embaixo’. Aí conectamos isso com a técnica panorâmica. Na hora, olhamos um para o outro e falamos: ‘A gente podia fazer isso em Noronha’. Conseguiríamos mostrar uma área muito maior e revelar uma beleza que uma única foto não consegue mostrar”, lembra Raphael.
Assim nasceu o projeto Panorâmicas de Noronha, que percorreu 16 dos principais pontos de mergulho do arquipélago, entre eles a Corveta, Pedras Secas I e II, Cabeço da Sapata e Trinta Réis.
“A gente achava que faltava essa visão mais ampla para as pessoas entenderem por que aquele ambiente precisa ser protegido. Nas fotos tradicionais você vê uma tartaruga, um tubarão, um cardume, mas não vê o ecossistema inteiro. Quando mostramos uma visão global do ambiente, que é fundamental para que todas essas espécies sobrevivam. A gente entendeu que era uma peça que talvez estivesse faltando, de conservação e de conscientização”, diz Fabi.


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