Plano Decenal de Expansão de Energia aprovado pelo governo na 5ª feira (2.jul) estima R$ 3,5 tri em investimentos até 2035, com 80% para petróleo e gás
Plano Decenal de Expansão de Energia aprovado pelo governo na 5ª feira (2.jul) estima R$ 3,5 tri em investimentos até 2035, com 80% para petróleo e gás
Andre Motta de Souza/Petrobras - out.2017
de Brasília 5.jul.2026 (domingo) - 6h02 Siga o Poder360 no Google
O PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2035 aprovado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estima investimentos de R$ 3,5 trilhões no setor de energia na próxima década, dos quais R$ 2,8 trilhões devem ter como destino o segmento de petróleo e gás natural.
O montante para exploração de combustíveis fósseis corresponde a 80% da projeção total e é 7 vezes maior do que o esperado para fontes de energia renováveis, que devem receber R$ 374 bilhões.
Segundo o documento, a exploração e produção de petróleo e gás natural no país concentrará 74% (R$ 2,6 trilhões) dos investimentos em energia até 2035.
Para a matriz elétrica, que deve manter de 88% e 94% de renovabilidade ao longo do período, o PDE projeta aportes de R$ 596 bilhões. Dentro desse montante, são previstos R$ 38 bilhões para baterias, R$ 79 bilhões para energia eólica, R$ 54 bilhões para hidráulica, R$ 36 bilhões para solar e R$ 115 bilhões para biocombustíveis.
O plano estima ainda R$ 117 bilhões em investimentos em infraestrutura de transmissão, considerada por agentes do setor um dos principais gargalos do sistema elétrico brasileiro.
O PDE indica avanço em todas as fontes de energia renovável. Na categoria de MMGD (Micro e Minigeração Distribuída), prevê investimentos de R$ 106 bilhões que devem fazer a modalidade alcançar 78 GW até 2035 e passar a responder por 21,8% da matriz elétrica nacional.
São considerados MMGD sistemas de pequena escala de geração solar ou eólica instalados em residências, comércios e indústrias. Parte dos agentes do setor elétrico considera a expansão desse tipo de empreendimento como uma ameaça e uma das principais causas do curtailment. O segmento já supera a capacidade instalada de 40 GW (gigawatts), o equivalente a quase 16% de toda a capacidade de geração de energia no país. O aumento dessa oferta, especialmente em horários de baixa demanda, pode sobrecarregar o sistema elétrico nacional e levar a um colapso.
Para as tecnologias de armazenamento, que entraram na mira do setor após o anúncio do 1º leilão de baterias do país, o plano estima contribuição de 6 a 7 GW (gigawatts) de capacidade instalada até 2035. A previsão é que a modalidade seja introduzida na rede brasileira a partir de 2028.
“O armazenamento é um destaque importante da expansão indicativa do SIN [Sistema Interligado Nacional] no PDE 2035, de modo que em 2028 verifica-se a expansão de pouco mais de 600 MW e chegando a 6,6 GW em 2035”, afirma o estudo.
Como mostrou o Poder360, a entrada das baterias deve dar mais flexibilidade ao sistema elétrico. Esses equipamentos são capazes de armazenar o excedente de energia em períodos de sobreoferta e devolver carga ao sistema em cenários de alta demanda, principalmente no final da tarde e de noite. Além disso, as baterias podem contribuir para evitar problemas ligados ao excesso de MMGD e curtailment em usinas eólicas e solares.
O PDE 2035 projeta ainda a ampliação da capacidade instalada de geração elétrica do Brasil dos atuais 255 GW para aproximadamente 367 GW em 2035, uma expansão de cerca de 110 GW ao longo dos próximos 10 anos.
A estimativa da EPE é que o consumo médio de energia elétrica no país cresça 3,3% em 10 anos. Nas residências, o crescimento deve ser de 3% ao ano, em função da alta no consumo médio (2,1% anuais), que chegará a 233 kWh/mês ao final de 2035. Já a base de consumidores expande 0,9% ao ano e alcança o total de 91 milhões de domicílios.
O consumo do setor industrial deve ter crescimento médio anual de 2,8%. O estudo identifica ainda um aumento substancial na potência instalada projetada para data centers, saltando de 2,5 GW para 26,3 GW, impulsionado pela inteligência artificial e digitalização de serviços.
“Espera-se que a crescente digitalização da economia impulsione ainda mais os serviços de delivery e o comércio eletrônico, acelerando a demanda por data centers, que já despontam como grandes consumidores de eletricidade devido à necessidade de alta disponibilidade e refrigeração intensiva”, diz o PDE.
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