Quando Endrick entrou em campo a torcida explodiu em êxtase como se um gol tivesse sido feito. A torcida, essa massa homogênea que vem sendo elitizada por força do futebol-negócio, compreendeu que em campo estava pisando o futuro e reagiu dizendo que é
Quando Endrick entrou em campo a torcida explodiu em êxtase como se um gol tivesse sido feito. A torcida, essa massa homogênea que vem sendo elitizada por força do futebol-negócio, compreendeu que em campo estava pisando o futuro e reagiu dizendo que é o que queremos.
Não existe outro jogador nessa seleção, nem mesmo Vini, que mobilize a massa nesses termos. Neymar, ídolo de muitos, está longe de ser unanimidade. Endrick, ao contrário, é percebido como aquele cuja personalidade nos representa. Sem campanhas de marketing para que isso fosse absorvido. Não há interesse nem da CBF nem de Ancelotti em promover o rapaz - e isso é muito bom. Concentrem-se na decadência de Neymar e deixem Endrick achar seu caminho em paz.
Endrick tem vínculos com o Brasil. Todos sabem que antes dos 18 ele liderou a arrancada histórica do Palmeiras rumo a um improvável título nacional. Todos veem sua entrega, sua coragem, sua petulância. E nós gostamos dessas características quando elas vêm associadas a respeito e competência.
O Brasil jogou mal contra o Haiti. Fez o mínimo diante de um time muito inferior e que sequer entrou para marcar ferozmente. Jogo tedioso, arrastado, sem criatividade. Mas Endrick entrou e levantou a arquibancada. Formar Endricks deveria ser o objetivo da construção de políticas públicas voltadas ao esporte. Planejamento, base, investimento - tudo em nome de mais Endricks.
O Brasil que lambe Neymar precisa dar lugar ao Brasil que celebra Endrick. Só assim recuperaremos o que está perdido: a nossa grandeza.
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