Após exibições menos boas contra seleções menores, o selecionador diz que agora é que conta. Será que a "psicologia" de Martínez chega para esconder que Portugal ainda não entrou em campo?
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"E o Campeão É" na Rádio Observador, edição especial para acompanharmos as leads da seleção portuguesa depois desta conferência de imprensa de Roberto Martínez e também de Vitinha. Já vamos às palavras do médio português e também do selecionador. Primeiro, apresentar este painel que me acompanha nesta edição especial de "E o Campeão É". Trata-se do João Pinto, do Luís Pinto Coelho e também do João Castro. Meus caros, sejam todos muito bem-vindos. Temos aqui um programa especial com destaque natural para o Campeonato do Mundo e para o que foi dito nesta conferência de imprensa, quer de Roberto Martínez, quer de Vitinha, sendo que, Luís Pinto Coelho, sejá muito bem-vindo, até porque o Campeonato do Mundo começa agora.
Ora viva, boa noite. Sim, agora tivemos esta fase, foram os jogos de pré-época e agora vai começar a valer. Agora é que conta, que é a mensagem de Roberto Martínez, tentando também esconder, obviamente, a frustração de jogos menos conseguidos, mas não deixa de ter razão. Agora é que conta, agora é que não há hipótese de falhar. Quem falhar vai pra casa, como já aconteceu a algumas seleções candidatas, e vamos ver como é que Portugal responde. Mas sim, concordo com o Martínez. Agora é que vai ser a doer e agora é que vamos ver quem é que tem unhas para tocar guitarra.
Vamos a um pouco de contexto. João Castro, Roberto Martínez começou precisamente a conferência de imprensa a dizer que o mundial começa amanhã, a dar conta desse jogo frente à Croácia, e diz que o barulho que vem de fora é normal, mas que o balneário está unido e que Portugal tem de ser capaz de ser humilde o suficiente para dizer que o que fez até agora não chega e que é preciso muito mais no relvado do que a seleção portuguesa conseguiu apresentar. Esta ideia, João Castro, de o verdadeiro mundial, de certa forma, começa amanhã e acaba por dominar a conferência de imprensa. Percebes, João Castro, que Roberto Martínez tem este tipo de discurso para fora? É também o que terá sido dito para dentro após os resultados menos conseguidos com a República Democrática do Congo e com a Colômbia?
Olha, boa noite a todos. Eu percebo a ideia. É uma forma de comunicar com psicologia misturada pelo meio, muito utilizada no desporto, obviamente, que é uma redefinição do foco e concentração no objetivo final, que é ganhar. E, portanto, até agora nada beliscou o objetivo final. Portanto, há um redirecionamento aqui desse foco para o momento do mata-mata. Se fosse o Scolari, teria utilizado a expressão mata-mata. E claro que o Martínez aproveitou e tentou refocar nos objetivos, que é vencer, e salientar que nada está perdido, porque a verdade é que Portugal continua ainda em competição até o final do jogo contra a Croácia. Portanto, Portugal ainda está em competição. Claramente, se Portugal tivesse vencido os três jogos e tivesse ficado em primeiro lugar, e estaríamos a jogar com o Gana, se eu não me engano, a conferência de imprensa seria diferente e o Martínez diria que o que espera é continuidade do bom trabalho e dos bons resultados. Portanto, é utilizar realmente aqui a psicologia, é utilizar aqui a forma de comunicar. E eu acho que era o que tinha que ser feito. Não podia dizer que tivemos mal. Não, quis refocar realmente que o importante é vencer a partida agora, porque agora não há hipótese, ou seja, não há escapatória. Ao menor deslize, fazem as malas e ainda voltam pra casa. Se fosse o Uruguai, vinham em avião das companhias aéreas, porque eles não fretaram o charter. Em Portugal, eles de certeza que vinham pelo charter normal.
Ora, perdemos agora aqui momentaneamente a ligação ao João Castro. Já voltaremos, até para ele terminar esse raciocínio.
Perdeu o voo. A indicação para a companhia aérea do Uruguai não lhe caiu bem ao João Castro. Luís Pinto Coelho, enquanto não regressa o João Castro e o João Pinto, uma das ideias que Roberto Martínez fez questão de dizer em praticamente todas as respostas quando era questionado sobre o rendimento, é a questão da preparação e do facto de Portugal já ter estreado 22 jogadores neste campeonato do mundo. Consegues perceber a importância que o selecionador nacional está a dar ao facto de já ter utilizado muitos jogadores?
É um bocadinho tentar dar um certo carinho aos jogadores menos utilizados, embora obviamente que um jogador que jogou um minuto, ou dois minutos, ou 10 minutos, não esteja contente, obviamente, e acredito que alguns jogadores não estejam contentes. Ele tenta passar essa mensagem, que todo o grupo conta, já praticamente foram todos utilizados, só dois jogadores de campo é que não foram utilizados, mas acho que aí, obviamente, ele podia ter feito até uma gestão um bocadinho diferente. Principalmente, a gente já falou aqui disso, da questão do Cristiano Ronaldo. Não faz muito sentido o Cristiano Ronaldo ter os minutos todos com a idade que tem, com o clima exigente que é, tendo, por exemplo, o Gonçalo Ramos no banco. Acho que não faz muito sentido. Agora, obviamente, que ele tenta alargar esta mensagem, dizer que quase todos jogaram pra mostrar que todos contam, todos são importantes. Porque estas conferências de imprensa não têm muito sumo, porque ele não vai falar de questões táticas e raramente fala disso. Fala muito da questão da união do grupo, do balneário, e tenta sempre puxar pra um outro ponto que lhe convém mais na questão da mensagem que quer passar. Mas se a gente espremer, não há aqui muito sumo que se possa tirar destas conferências de imprensa. Serve pra mostrar os patrocinadores do mundial.
Entretanto, já temos conosco também o João Pinto. João Pinto, como é que estás? Seja muito bem-vindo a este "E o Campeão É Especial". Depois de toda a pré-época que foram estes primeiros jogos do Mundial, pelo menos é o que diz Roberto Martínez, o que é que podemos esperar agora deste segundo Campeonato do Mundo de Futebol?
Podemos esperar mais, podemos querer mais, podemos ambicionar a mais. Acho que faz parte daquilo em que pensámos, embora aquela crença que nós tínhamos, que era muito baseada em números e baseada em factos, agora tornou-se apenas uma fé, uma cruzada, uma ideia, uma esperança. Portanto, agora já não vamos muito agarrados àquilo que fizemos, mas mais naquilo que acreditamos.
João Pinto, que mais ideias destacas desta conferência de imprensa de Roberto Martínez?
Eu estou com o Luís, acho que foi muito do mesmo, foi muito ouvir aquilo que toda a gente queria que nós ouvíssemos e é o normal, também é o expectável. Nestas coisas, ele também não ia dizer nenhuma grande novidade, nenhuma bomba. Portanto, há que acalmar as hostes, há que dizer aquilo que o povo quer ouvir e depois cruzar os dedos e fazer o melhor.
João Pinto, sei que estás neste momento a caminho de uma atuação. Como tal, vou te libertar mais cedo, mas não sem antes te questionar sobre um dos encontros do Campeonato do Mundo, o Inglaterra-República Democrática do Congo, ainda do Mundial antigo, segundo Roberto Martínez. Que ilações é que tiraste desse encontro?
Este Inglaterra que vi hoje é a tal coisa. Custa-me um bocado aceitar que se percam tantas horas a falar dos cinco corredores e da construção a três e, de repente, não sei se estamos a falar de futebol ou de construção civil, mas depois o que se vê na bola é cruzamentos pra área e procura do gás grande. A verdade é que isso não correu bem com a Alemanha. Hoje correu bem com a Inglaterra, porque o rapaz de Inglaterra é melhor que o da Alemanha e, portanto, hoje correu bem, mas temos visto pouco futebol das grandes seleções.
João Pinto, muito obrigado pela tua passagem aqui nesta edição de "E o Campeão É Especial", após a conferência de imprensa da Seleção Nacional. João Castro, há pouco, a companhia aérea do Uruguai, o voo charter, acabou por te mandar abaixo a chamada. Entretanto, já estás de regresso, agora com um voo fretado para Alvalade. Queres concluir o que estavas a dizer há pouco?
A ideia era só aquela. Obviamente falou a refocar outra vez os objetivos e a tentar fazer esquecer uma má primeira fase, mas que nos garantiu o apuramento, ou seja, atingiu o objetivo mínimo, que era passar, o que também não era difícil neste mundial. Agora, o que eu acho importante e agora a questão que fizeste ao João Pinto e ao Luís, obviamente, o Martínez taticamente nunca diz nada. E, portanto, tu não estás à espera de tirar ali nenhuma ilação sobre o jogo que passou, nem quando acaba os jogos, nem na antevisão. Portanto, é o discurso.
E numa antevisão, isso não é positivo, João Castro, deixar o leque fechado?
Sim, claro. Numa antevisão, obviamente, mas podia mostrar algum conhecimento sobre a Croácia, por exemplo. Mas lá está, é a forma e o estilo do Martínez, e aí há que respeitar. Depois, em relação ao que o João Pinto estava a dizer, e permite-me, há uma seleção que tem jogado muito, que eu acho que é a França. Quem viu a França, dos favoritos, França e Marrocos têm jogado um futebol realmente atrativo. Nos outros casos, e concordo com o João, com defesas, e cada vez as equipes estão mais organizadas, cada vez são mais bem treinadas e quando jogam com blocos baixos, mesmo as grandes seleções têm muitas dificuldades. E há sempre um método que serve para todas. Quando não consegues com um futebol bonito, vai via cruzamento. Depois tens que ter a capacidade e a força aérea necessária para conseguires marcar e às vezes um bocado de sorte, e o guarda-redes adversário também não defende tudo. Isso tem acontecido. Agora, nós vemos aqui grandes jogadores no Mundial, basta ver o Kane, Mbappé, Olizé e outros que têm aparecido, realmente o Messi, grandes jogadores que têm aparecido muito no Mundial, a mostrar que ainda a qualidade individual de alguns jogadores vai decidindo realmente os jogos. É pena que às vezes no futebol mundial se tenha perdido um tanto este, e sobretudo, por exemplo, no Brasil, tanto esta capacidade. Vinicius Jr. tem estado bem, diga-se de passagem. Esta capacidade e esta criatividade estão se tornando jogadores muito idênticos, porque a verdade é que estes jogadores vão decidindo e vão dando alegria ao povo quando se vê jogos como o da França, aquela maneira de jogar, ou jogadas como a do Vini, é realmente demonstrativo que essa qualidade individual, essa magia, faz falta ao futebol e há que repensar um bocadinho o futuro do que os jogadores é que queremos projetar para o futuro.
Ora bem, sendo que neste campeonato do mundo, Gonçalo Ramos tem apenas sete minutos de jogo e João Castro, mantendo-me ainda contigo, já vou ao Luís Pinto, porque quero também saber a opinião dele sobre isto, até porque a primeira resposta de Roberto Martínez é dizer que amanhã começa um novo mundial, sendo que a primeira pergunta é: nestes 16 avos de final, é a altura de Cristiano Ronaldo descansar os primeiros minutos neste campeonato do mundo? João Castro, faço-te pergunta semelhante, de certa forma, que é: está na altura de Cristiano Ronaldo passar a não jogar o encontro completo?
Olha, isso já devia ter ocorrido. Não faz sentido ter jogado os 90 minutos nos três jogos, o jogador mais velho da seleção ter feito isso. Até o próprio Bruno Fernandes devia ter sido poupado. Portanto, isso não faz de todo sentido e é um erro da gestão do Martínez. Viu-se esta semana e apareceu nos jornais o Martínez a dar aqui um treino quase individual ao Gonçalo Ramos, mas deve ser pra jogar um particular a seguir ao mundial, porque no mundial tem se visto que o Gonçalo Ramos não conta. Portanto, acho que nesta altura o Martínez tem que perceber, e não vai ter muito tempo pra isso, porque agora é mata-mata Vai perceber que aquilo que fez ou aquilo que não fez nos grupos pode ter consequências no futuro, porque os jogadores estão cansados, o Ronaldo está cansado, o Bruno Fernandes parece muito cansado também, e a verdade é que não descansaram e portanto podemos pagar a fatura. Já agora, eu acho que Portugal vai passar diante da Croácia, porque eu acho que Portugal jogando contra equipes europeias, tirando obviamente seleções de topo como a França ou mesmo a Espanha, mas a Espanha não tem feito um grande mundial, eu acho que Portugal tem sempre mais hipótese de vencer. Contra equipes que têm maior fisicalidade, Portugal vai ter sempre dificuldades, apesar de ser melhor tecnicamente, a verdade é que a questão física tem sido preponderante e portanto se calhar a Croácia, eu acho que vai ser um jogo renhido, os últimos três jogos deu uma vitória pra Portugal, um empate e uma derrota, mas acho que Portugal vai acabar por vencer a Croácia.




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