Nenhum traço de nossa cultura futebolística é tão daninho como a recusa a avaliar adversários de maneira realista. Prestamos atenção só a uma equipe quando vemos o jogo. Leia mais (06/23/2026 - 16h37)

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23.jun.2026 às 16h37

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Nenhum traço de nossa cultura futebolística é tão daninho como a recusa a avaliar adversários de maneira realista. Prestamos atenção só a uma equipe quando vemos o jogo.

Nosso padrão é "como o Verdão empata com a baba do Mirassol?". Você não sabe nada sobre o Mirassol e não se deu ao trabalho de observá-lo, mas indignar-se com o "vexame" gera engajamento.

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Lembro-me de quando jornalistas brasileiros diziam que França e Espanha "não são nada" e "nunca venceram", como se a ausência de um título mundial nos dissesse tudo sobre elas. De lá pra cá, ganharam mais que nós.

Ouvíamos na TV que "a Alemanha pratica algo que se assemelha ao futebol", na época em que ela já estava transformada pela revolução guardiolista. Veio o 7 a 1 e a frase foi aposentada.

Em 2018, a Bélgica entrou na lista dos que não estamos autorizados a desprezar. Mudamos o objeto de nossa soberba e nunca aprendemos.

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As conversas sobre o segundo jogo foram interrompidas pela sugestão de que, nas palavras de um interlocutor meu, "o Haiti é um time amador". Ao ouvir isso, perguntei: "Você diz que um time que tem Bellegarde e Isidor é amador?". Meu interlocutor nunca havia ouvido falar de nenhum dos dois.

Claro que o Haiti é uma seleção mais fraca. Mas não é o Haiti de uma década atrás. E quem acompanha a Concacaf sabe. É a confederação cujo campeão, México, bateu o Brasil nas últimas quatro finais em que o enfrentou.

Uma equipe pode parecer baba por uma escolha tática errada. Foi o caso do Haiti, que manteve contra o Brasil a linha alta que o levou a jogar bem contra a Escócia. Ante uma equipe de poder ofensivo, o jogo acabou no primeiro tempo.