Já teve a sensação de déjà vu enquanto lia a Bíblia? Você não está sozinho.
Priorizar nos meus resultados Google Se você já leu o Novo Testamento da Bíblia, talvez tenha ficado com uma sensação de dejá vu. Dos quatro evangelhos canônicos que descrevem a vida e ensinamentos de Jesus, três são chamados “evangelhos sinóticos”, pois compartilham muitas das mesmas histórias. Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas contam os mesmos acontecimentos de forma semelhante ou até idêntica em algumas passagens.
Algumas histórias em comum são Jesus acalmando o mar da Galileia e o encontro dos primeiros discípulos, além das cenas mais emblemáticas como a última ceia, a crucificação de Jesus e a ressurreição. Veja um exemplo abaixo:
O evangelho de João (o quarto e último do Novo Testamento) é o único que apresenta uma perspectiva diferente dos outros – e portanto não é considerado um evangelho sinótico.
Cerca de 76% do evangelho de Marcos pode ser encontrado em Lucas e Mateus. O mesmo vale para 41% do evangelho de Lucas e 46% de Mateus. Essas porções em comum são chamadas de “tradição tripla”. Além desses trechos, Mateus e Lucas ainda compartilham cerca de 24% das histórias entre si. No total, apenas 3% do evangelho de Marcos é único a ele, assim como 35% de Lucas e 20% de Mateus.
Os evangelhos sinóticos não contam apenas as mesmas histórias, mas também apresentam estruturas extremamente semelhantes, como a ordem das passagens nos versículos. Isso sugere uma dependência entre esses documentos históricos, como se um tivesse usado o outro como referência, ou como se todos tivessem sido baseados em uma fonte anterior. Essa questão é conhecida como “Problema Sinótico”
Diversas hipóteses tentam explicar a relação entre os três evangelhos. A teoria mais aceita é a “hipótese de duas fontes”. Ela sugere que os evangelhos de Lucas e Mateus teriam sido inspirados por duas fontes: Marcos e um documento misterioso chamado Q (de quelle, que significa “fonte” em alemão).
O tal Q nunca foi encontrado, e por isso essa teoria vem sendo questionada nas últimas décadas. No final das contas, ainda não há uma resposta definitiva para o problema.
Fontes: artigo “A Statistical Study of the Synoptic Problem”

