Enquanto a construção civil dá sinais de perda de fôlego diante dos juros elevados, do crédito mais caro e da Guerra no Irã, a Obramax decidiu pisar no acelerador. A rede de atacarejo de materiais de construção, pertencente ao mesmo grupo da Leroy Merlin, prevê investir R$ 13,5 bilhões para abrir entre oito e dez lojas por ano nos próximos três anos. Leia mais (06/26/2026 - 23h00)
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26.jun.2026 às 23h00
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Enquanto a construção civil dá sinais de perda de fôlego diante dos juros elevados, do crédito mais caro e da Guerra no Irã, a Obramax decidiu pisar no acelerador. A rede de atacarejo de materiais de construção, pertencente ao mesmo grupo da Leroy Merlin, prevê investir R$ 13,5 bilhões para abrir entre oito e dez lojas por ano nos próximos três anos.
A aposta parece caminhar na contramão do mercado. Dados recentes mostram desaceleração das vendas e maior dificuldade de acesso ao financiamento imobiliário. Para Michael Reins, CEO da companhia, porém, o momento exige visão de longo prazo.
"Se olharmos apenas o ciclo atual, ninguém investiria. Mas estamos falando de um mercado que continua enorme e estruturalmente carente de produtividade", afirma em entrevista à Folha.
De acordo com o executivo, a Obramax ocupa um espaço diferente daquele explorado pela Leroy Merlin. Enquanto a varejista tradicional se concentra em consumidores que buscam decoração, reforma e inspiração para a casa, a Obramax mira o profissional da construção.
"O pedreiro, o eletricista, o encanador, o pequeno construtor precisam de praticidade. Eles querem encontrar o produto rapidamente, pagar um preço competitivo e voltar para a obra. Nosso negócio gira em torno da racionalidade e da eficiência", diz.
Hoje, afirma, cerca de 85% dos clientes pertencem às classes C e D, público que já se acostumou ao modelo de atacarejo em supermercados, mas que encontrava poucas opções semelhantes no segmento de materiais de construção.
O executivo avalia que o setor atravessa uma combinação de fatores negativos. O principal deles é o custo do dinheiro.
"Com juros de longo prazo na faixa de 11% a 12% ao ano, fica muito difícil financiar imóveis ou grandes reformas. O endividamento das famílias continua elevado e isso afeta diretamente a demanda."
Ele também cita o aumento do comprometimento da renda das famílias com apostas online, fenômeno que, segundo ele, passou a aparecer nas conversas com consumidores e fornecedores.
Ao mesmo tempo, a indústria de materiais tenta repassar aumentos de custos provocados por matérias-primas mais caras e por incertezas internacionais.
"É uma discussão difícil porque o mercado está mais fraco. Não faz sentido aumentar preços 10% ou 15% quando o consumidor está comprando menos. Em muitos casos, precisamos absorver parte dessa pressão para manter nossa proposta de ser a opção mais barata."
A expansão planejada pela empresa traz desafios que vão além do financiamento. Um dos principais gargalos está na contratação de funcionários.
Cada nova unidade demanda cerca de 140 trabalhadores, sobretudo na área logística. Em algumas regiões, a disputa por mão de obra se tornou intensa.
"No Mato Grosso, por exemplo, há localidades com desemprego perto de 2,5%. Concorrer por profissionais com centros de distribuição, operadores logísticos e empresas de comércio eletrônico virou um desafio diário."



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