Caixa de som sem tela será o primeiro hardware da empresa dona do ChatGPT e aposta em uma nova forma de interação entre usuários e IA

A empresa desenvolve um dispositivo portátil, sem tela e equipado com inteligência artificial, concebido para funcionar como um assistente pessoal dentro de casa e inaugurar uma nova forma de interação entre usuários e computadores.

Ainda em desenvolvimento, o aparelho teria formato semelhante ao de uma caixa de som inteligente, mas com um papel muito mais amplo do que os atuais alto-falantes conectados.

A ideia é que ele atue como um companheiro de IA, capaz de manter conversas naturais, responder perguntas, controlar dispositivos domésticos, reproduzir músicas, enviar mensagens e acessar todos os recursos do ChatGPT por comandos de voz.

O produto, assim, representa a primeira etapa da estratégia da OpenAI para criar uma nova geração de dispositivos voltados à era da inteligência artificial.

A iniciativa sinaliza que a OpenAI pretende disputar espaço em um mercado dominado por empresas como Apple, Google e Amazon, cujos assistentes de voz — Siri, Google Assistant e Alexa — ajudaram a popularizar o conceito de casas inteligentes, mas perderam relevância diante do avanço da IA generativa.

Ao contrário desses sistemas, o novo dispositivo deverá ser construído desde o início com modelos de linguagem avançados, permitindo interações mais naturais, contextualizadas e capazes de executar tarefas complexas.

A estratégia também reforça a visão, compartilhada por parte da indústria de tecnologia, de que a inteligência artificial poderá reduzir a dependência de telas e aplicativos tradicionais, transformando a voz em uma das principais interfaces de acesso à informação.

A entrada no segmento de dispositivos marca uma mudança importante para a OpenAI, conhecida até agora principalmente por seus softwares.

Nos últimos meses, a empresa vem ampliando sua atuação para além do ChatGPT. Lançou agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas de forma autônoma, expandiu sua presença no mercado corporativo e intensificou a corrida para integrar IA ao cotidiano dos usuários.

O projeto de hardware ganhou ainda mais força após a OpenAI anunciar a aquisição da startup de design criada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple e responsável por produtos icônicos como o iPhone e o iMac.

A operação, avaliada em cerca de US$ 6,5 bilhões, colocou Ive à frente do desenvolvimento da estratégia de design da empresa e reforçou a ambição de criar uma nova categoria de dispositivos centrados em inteligência artificial.

A movimentação da OpenAI ocorre em um momento em que as gigantes da tecnologia disputam qual será a principal plataforma da próxima década.

Enquanto a Apple tenta incorporar IA ao iPhone, a Meta investe em óculos inteligentes, a Google integra inteligência artificial aos dispositivos Android e a Amazon trabalha para reinventar a Alexa com modelos generativos.

A OpenAI aposta que o futuro poderá passar por aparelhos pensados desde o início para conversar com o usuário, sem depender de uma tela.

Embora ainda não haja informações sobre preço ou data de lançamento, o novo dispositivo pode representar a tentativa mais ambiciosa até agora de transformar a inteligência artificial em um objeto presente no dia a dia. E inaugurar uma nova fase na relação entre pessoas e máquinas.