Movimento ocorre antes da oferta pública inicial (IPO) da dona do ChatGPT
Compartilhar matériaA OpenAI, dona do ChatGPT, discute a possibilidade de conceder ao governo dos EUA uma participação de 5% da empresa, segundo reportagem do Financial Times divulgada nesta quinta-feira (2)
Movimento ocorre em um momento em que as empresas de IA (Inteligência Artificial) enfrentam questionamentos sobre o provável uso indevido de modelos avançados e se os americanos se beneficiariam das valorizações astronômicas do setor.
A criadora do ChatGPT propôs que outras empresas de IA dos EUA também concedam a Washington participações semelhantes, embora não esteja claro se elas concordariam, segundo a reportagem, que citou duas pessoas a par das negociações.
Atualmente, o setor de IA vê uma crescente reação pública em relação ao potencial da tecnologia de causar turbulências econômicas, incluindo demissões. Isso pode ajudar a OpenAI a estreitar laços com um governo, que vem assumindo cada vez mais um papel ativo na regulamentação da tecnologia.
Um pedido do governo Trump levou a OpenAI a adiar o lançamento generalizado de seu mais recente modelo de IA, o GPT-5.6, na semana passada, dias depois que a rival Anthropic suspendeu o acesso aos seus modelos mais avançados, incluindo o Fable 5, devido a uma ordem governamental para manter a tecnologia fora do alcance de estrangeiros.
Os EUA retiraram as restrições aos modelos de IA da Anthropic na terça-feira (30).
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a reportagem do FT. O Google, da Alphabet, se recusou a comentar. A OpenAI, a Anthropic, a SpaceX, controladora da xAI, e a Casa Branca não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Metade dos americanos teme que o avanço da IA possa deixá-los ou a alguém de sua família desempregados, de acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos publicada em junho.
Gerenciar a incerteza regulatória é fundamental para a OpenAI e a Anthropic antes de suas ofertas públicas iniciais planejadas, o tão aguardado IPO.
No mês passado, o presidente Donald Trump afirmou que estava explorando opções para dar ao público uma participação em empresas líderes de IA, em resposta às preocupações de que os cidadãos americanos não venham a participar dos lucros esperados do setor.
O senador norte-americano Bernie Sanders também defendeu que o governo adquira uma participação de 50% nas grandes empresas de IA, argumentando que a tecnologia é construída com base em conhecimento humano utilizado sem permissão e sem remuneração.
O analista da Forrester, Indranil Bandyopadhyay, disse que uma participação do governo antes da oferta pública inicial (IPO) poderia amenizar as preocupações dos investidores com relação aos riscos da regulamentação nos EUA, mas pode desencadear demandas semelhantes de outros países.
“É de se esperar que outras jurisdições exijam acordos análogos como condição para o acesso ao mercado e que compradores corporativos na Europa e na Ásia-Pacífico reavaliem as premissas de soberania e neutralidade de dados em relação aos provedores de modelos dos EUA”, avaliou Bandyopadhyay.
A estrutura sugerida pelos executivos da OpenAI prevê que as principais empresas de IA dos EUA destinem 5% de seu capital social a um veículo inspirado no Fundo Permanente do Alasca, uma empresa estatal financiada com receitas do petróleo que paga dividendos anuais aos residentes e ajuda a financiar o orçamento do Alasca, segundo a reportagem do FT.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, discutiu a participação proposta com Trump, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o secretário do Tesouro Scott Bessent, informou o Financialo Times.
Ele se reuniu com Sanders no início de junho, segundo a empresa.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário