Operação Bomba Oculta fecha postos de combustíveis clandestinos O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta sexta-feira (28) que a suspensão dos CNPJs de 1.283 postos de combustíveis em todo o país tem como objetivo "asfixiar" financeiramente organizações criminosas e interromper uma das portas de entrada do dinheiro usado em esquemas de lavagem. A medida faz parte da Operação Bomba Oculta, deflagrada exatamente um ano após a Operação Carbono Ocul
Operação Bomba Oculta fecha postos de combustíveis clandestinos O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta sexta-feira (28) que a suspensão dos CNPJs de 1.283 postos de combustíveis em todo o país tem como objetivo "asfixiar" financeiramente organizações criminosas e interromper uma das portas de entrada do dinheiro usado em esquemas de lavagem. A medida faz parte da Operação Bomba Oculta, deflagrada exatamente um ano após a Operação Carbono Oculto. Segundo Barreirinhas, as investigações identificaram os postos como um dos pontos utilizados para captar recursos que posteriormente ingressavam em estruturas mais complexas de lavagem de dinheiro. "Quando você suspende ou torna inapto o CNPJ de 1.283 empresas claramente irregulares, muitas delas envolvidas diretamente com organizações criminosas, você asfixia financeiramente essas organizações, você asfixia o ponto de entrada da lavagem de dinheiro delas", afirmou Barreirinhas. Nesta sexta, uma força-tarefa de órgãos estaduais e federais também lacrou seis postos clandestinos na capital paulista. Segundo os investigadores, a maior parte dos estabelecimentos tem como proprietários formais "interpostas pessoas" — os chamados laranjas —, enquanto os reais beneficiários seriam empresários alvos da Operação Carbono Oculto. Todos os postos cujos CNPJs foram atingidos pela medida não possuem autorização de funcionamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), segundo os responsáveis pela operação. Sem CNPJ, sem movimentação financeira Barreirinhas explicou que a estratégia é impedir que empresas identificadas como irregulares continuem sendo usadas para movimentar recursos mesmo depois de perderem autorização para atuar no setor. Segundo ele, a Receita publicou nesta semana uma instrução normativa para tornar mais ágil a suspensão cautelar desses cadastros. Nesta sexta, 1.283 CNPJs de postos foram declarados inaptos em todo o país. A consequência, afirma o secretário, vai além da situação cadastral das empresas. "Sem CNPJ você não consegue emitir os documentos, não consegue ter conta bancária, conta em fintech, nada disso. Então você não consegue mais movimentar." Para Barreirinhas, a medida também pode obrigar os responsáveis pelos esquemas a buscar novas formas de colocar o dinheiro ilícito no sistema financeiro — e, consequentemente, se expor aos órgãos de investigação. "Você está forçando esses criminosos que lavam dinheiro a aparecerem. Eles vão ter que aparecer em algum outro lugar para lavar esse dinheiro. E nós estamos atentos a isso." Em São Paulo, a ação ocorre em conjunto com a Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP), que também suspende inscrições estaduais. Ao todo, 910 postos têm as inscrições estaduais suspensas no estado: 682 já haviam sido atingidos pela medida e outros 228 entram na lista nesta sexta. De postos a fundos de investimento Segundo Barreirinhas, a operação desta sexta atinge justamente uma das pontas da estrutura identificada há um ano pela Carbono Oculto: a captação do dinheiro que posteriormente seria lavado. A investigação original revelou, segundo a Receita, uma cadeia que passava por diferentes etapas do mercado de combustíveis, incluindo importação, refino, distribuição, transporte e postos. Barreirinhas afirma que estabelecimentos do setor eram utilizados para receber recursos, inclusive dinheiro em espécie. Os valores depois chegavam a contas concentradoras de fintechs e, na sequência, eram direcionados a fundos de investimento usados na estrutura de lavagem. "Toda essa estrutura de fintech, captando recursos via postos de gasolina e remetendo para lavagem de dinheiro em fundos, foi desvendada na Carbono Oculto há um ano." Segundo o secretário, mais de mil postos já haviam sido associados à estrutura investigada na Carbono Oculto. Desde então, a ANP cancelou registros, mas parte das empresas continuou funcionando porque mantinha estruturas cadastrais e financeiras. É justamente essa brecha que a nova operação pretende fechar, segundo Barreirinhas. "A ANP agiu nesse período para cancelar registros e tudo mais, mas as empresas continuam funcionando porque elas continuam com a estrutura financeira." Posto abandonado às pressas em SP Um dos alvos da operação desta sexta fica na Marginal Tietê, na Zona Norte de São Paulo. Segundo os investigadores, o posto foi fechado às pressas e abandonado pelos funcionários durante a ação. Segundo os investigadores, a loja está registrada em nome de Amine Mourad, irmã de Mohamad Mourad, conhecido como "Primo" e um dos alvos da Operação Carbono Oculto. O endereço que constava no registro da empresa era diferente daquele onde a loja funcionava. Novas ações pelo país A Receita afirma que a suspensão dos 1.283 CNPJs já ocorre nacionalmente. O fechamento físico dos estabelecimentos, porém, começou por São Paulo e deverá ser ampliado para outros estados. "Hoje nós estamos lacrando alguns postos de gasolina em São Paulo, alguns diretamente relacionados a essas organizações criminosas. Em seguida, nós vamos passar a fazer isso no Brasil todo", disse Barreirinhas. A Operação Bomba Oculta reúne Receita Federal, Sefaz-SP, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP), ANP e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), além do apoio da Polícia Civil. Para Barreirinhas, a atuação conjunta repete o modelo adotado na Carbono Oculto para atingir diferentes pontos da estrutura financeira investigada. Secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda




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