Esperava-se que nórdicos tivessem feito 7,66 gols nesta Copa; eles já fizeram 10
Fabio Takahashi trabalhou na Folha por 18 anos, como repórter e editor do DeltaFolha. É gerente de dados da Loft e editor do site Portas. Daniel Mariani é jornalista de dados e cobre sua terceira Copa do Mundo
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Fábio Takahashi Já notou nas transmissões dos jogos da Copa uma estatística chamada xG? Testada há mais de 60 anos, só recentemente ganhou os holofotes. É uma conta útil para entender a qualidade ofensiva de um time ou de um jogador.
A sigla quer dizer "expected goals", ou gols esperados. É um cálculo que analisa o quão difícil é converter determinado chute ou cabeceio em gol. Se o chute é de longe, é mais difícil que acerte em comparação a um chute de dentro da pequena área. Por isso, este último vai ter xG maior que o primeiro.
Entra na conta não apenas a distância, mas o ângulo do chute (um tiro frontal ao gol tem xG maior). E tentativa de cabeça tem xG menor que com o pé.
O conceito começou a ser testado em 1962, quando psicólogos pediram a 33 jogadores profissionais que estimassem de que distância teriam 20% de chance de converter um gol.
A resposta média foi de 19 metros, bem fora da área. Quando foram de fato chutar de lá, converteram apenas 15%. Os jogadores eram mais otimistas que a realidade.
Ian Graham, que foi diretor de pesquisa do Liverpool, descreve esse experimento em seu livro "How To Win the Premier League" como a primeira demonstração empírica do conceito que ganharia o nome décadas depois.
Graham, aliás, tem arrepios com chutes de fora da área, que contam com apenas 4% de chances de entrar. Torcedores e analistas pedem para que os jogadores arrisquem de longe, provavelmente porque, quando a bola entra, é um gol memorável. Mas, para cada bola que entra, outras 96 não dão em nada.
Atualmente, para o xG, a Opta, fornecedora oficial de dados da Fifa nesta Copa, analisa até 20 variáveis por chute —como o tipo de assistência que originou a finalização e a pressão de defensores sobre o chutador.
Esses cálculos mostram que o gol de Martinelli contra o Japão, em que ele bate de frente para o gol, tinha cinco vezes mais chances de entrar do que o de Vini Jr contra Marrocos, em que ele chuta da parte lateral da área (xGs de 0,43 e 0,08, respectivamente).
Mas para que tanta conta? Para que se saiba se uma equipe ou atleta está conseguindo criar boas chances (xG alto), mesmo que falhe na conclusão.
O interessante é comparar esse número com a quantidade efetiva de gols. Se o xG é menor que o número efetivo de gols, significa que a equipe está convertendo gols improváveis. Pode ser sorte. Pode ser qualidade desproporcional de finalização dos seus atacantes.




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