Nem sobre o Mastergate e as dramáticas eleições de outubro

Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice"

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22.jun.2026 às 23h00

O que escrever durante a Copa, o Mastergate e às vésperas das eleições mais dramáticas do Brasil?

Fiz esta pergunta a uma querida amiga, no dia 12 de junho, horas antes da estreia da turnê do Kid Abelha.

Como chegamos bem antes do show, ficamos mais de sete horas colocando a conversa em dia. Falamos desde tomar (ou não) creatina, glutamina e whey protein até sobre o dramático momento político que estamos vivendo, no Brasil e no mundo.

Contei que havia escrito uma coluna para a Folha, mas que tinha certeza que ninguém iria ler.

Na verdade, disse que ninguém iria ler nada do que escrevo até o dia 19 de julho. Seis semanas em que os brasileiros estariam totalmente concentrados na Copa, no Mastergate e nas eleições.

"Tira férias e volta a escrever depois da Copa", minha amiga sugeriu.

"Nem pensar", respondi. Desde que comecei a escrever minhas colunas na Folha, em 2010, nunca, nem uma única vez, tirei férias. Escrevi até mesmo na época do Natal e Ano Novo, quando muitos colunistas fazem um recesso de duas semanas.

"Então envia só colunas que não são tão boas. Guarda as melhores para depois da Copa", ela brincou.

"De jeito nenhum, nem que a vaca tussa. Não vou escrever mais ou menos, nem escrever sobre o que não estudo, só porque meus leitores e leitoras estão interessados em outras questões", reagi.

"Muda o tema, então. Todo mundo virou técnico e especialista em seleção, corrupção e eleição. É um desperdício escrever sobre questões que ninguém vai querer ler agora", ela insistiu.

"Não tenho nada de interessante para dizer que alguém não possa dizer muito melhor do que eu. Não está no meu DNA escrever sobre temas que não pesquiso", eu disse.